Lambança

Confusão na prévia do PSDB acirra ânimos entre Doria e Leite

Partido define data de conclusão para o domingo e Leite contesta

22 de Novembro de 2021 - 20h00 Corrigir A + A -
Doria e Virgílio venceram queda de braço contra o gaúcho (Foto: Divulgação - DP)

Doria e Virgílio venceram queda de braço contra o gaúcho (Foto: Divulgação - DP)

O imbróglio na prévia do PSDB acirrou os ânimos entre os principais nomes do partido à presidência da República. O governador gaúcho Eduardo Leite rebateu as críticas de João Doria, governador de São Paulo, e de Arthur Virgílio, ex-prefeito de Manaus, de que teria apoiado o aplicativo de votação, que falhou no domingo, e de que queria adiar para o ano que vem a apuração: “é uma sucessão de mentiras”, disparou Leite.

Por outro lado, Arthur Virgílio, que caminha ao lado de Doria no pleito tucano, apesar de também ser postulante, criticou abertamente apoiadores de Leite, como o deputado federal Aécio Neves, chamado pelo amazonense de “laranja podre” do PSDB.

Após reuniões com a Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul durante o dia, o PSDB emitiu nota no começo da noite afirmando que a votação se encerrará no próximo domingo (28) e que pode haver a troca da empresa responsável pelo aplicativo de votação.

A executiva nacional afirmou que a decisão foi em acordo com as três pré-candidaturas, o que foi refutado por Eduardo Leite em coletiva. O pelotense afirmou que continua querendo a conclusão da prévia “o mais rápido possível”, ou que seja pensada uma nova situação. Dória e Virgílio defendiam o prazo de domingo.

Repercussão da prévia
Depois de uma campanha eleitoral decadente em 2018, quando Geraldo Alckmin fez menos de 5% dos votos válidos, o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, opina que o partido recuperou o “protagonismo” com a prévia neste ano, mesmo com o “fiasco” da votação pelo aplicativo.
A sigla quer apresentar um candidato viável para ser o representante da chamada “terceira via” nas eleições em 2022, em contraponto a Jair Bolsonaro (sem partido) e Lula (PT). Neste cenário, Doria ou Leite disputariam espaço com o juiz Sério Moro (Podemos) e Ciro Gomes (PDT), dentre outros nomes que podem surgir.
A prévia do partido teve visibilidade nos grandes meios de comunicação do país, mas acentuou o racha entre os dois polos. Doria conta com o apoio dos diretórios de São Paulo, estado chave do PSDB, Pará, Rio Grande do Norte, Distrito Federal e Acre, enquanto Leite tem em seu favor os estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Ceará, Alagoas, Rondônia e Amapá.
“Nós não queremos adiamento para o ano que vem. Queremos que se resolva rapidamente do ponto de vista técnico e imediatamente volte o processo que temos convicção de que sairemos vencedores”, disse Leite.
Apoiador de Eduardo Leite, o secretário de Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul, Luiz Henrique Viana, opina que o adiamento do pleito não afeta o nome do gaúcho na disputa. “Nós achamos que o Eduardo está mais forte (contra Doria). O problema de ir para o dia 28 é que seria uma nova eleição, porque os candidatos teriam condições de ir buscar novos apoios. Essa decisão (da nova data) tem que ser do partido”.
Quem vencer o processo interno, Doria ou Leite, tem até o dia 2 de abril para renunciar ao cargo de governador. O TSE definiu como datas limites para acontecerem as convenções partidárias, que vão homologar de fato o candidato, o dia 5 de agosto. O registro das chapas tem que ser deferido até o dia 15 de agosto.


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