Novela sem fim

Compra da Câmara dá um passo atrás

Projeto que previa aquisição de prédio na Lobo da Costa foi arquivado por Fabrício Tavares; Sizenando afirma que pretende resolver impasse

17 de Fevereiro de 2020 - 21h28 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

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Imóvel na rua Lobo da Costa era apontado como futuro destino do Legislativo (Foto: Paulo Rossi - DP)

Como se fossem um jogo de tabuleiro, os extensos debates e negociações sobre a compra da sede própria da Câmara de Vereadores de Pelotas voltaram algumas casas. Depois de um aparente acordo entre os parlamentares no final do ano passado para encaminhar a aquisição do antigo imóvel da Canguru Embalagens, na rua Lobo da Costa, 1.887, o projeto que autoriza o Legislativo a fechar o negócio foi retirado de tramitação.

Na semana passada, o ex-presidente da Casa e autor do texto, Fabrício Tavares (PSD), pediu o arquivamento do texto, que aguardava nomeação de relator na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR). Com isso, a mudança da atual sede, alugada, para um ponto definitivo sofre mais um atraso.

Presidente da Câmara, José Sizenando (DEM) declarou surpresa com a decisão de Tavares, já que diz ter entre seus objetivos encerrar a atual gestão com o parlamento instalado em novo endereço. "Me surpreendeu ter retirado agora, mas ele deve ter os motivos dele. De repente para me dar a liberdade de definir", comenta o democrata.

A retirada da proposta, no entanto, não se trata apenas de abrir espaço para o novo líder da Mesa Diretora definir o negócio estimado em R$ 5,5 milhões. Nas últimas semanas, a relação entre ex e atual dirigente do Legislativo tem sido marcada por atritos. Desde que assumiu a presidência, Sizenando determinou a revisão e cancelamento de licitações feitas nos últimos dias da antiga gestão. Ele alega erros nos editais e contratos e questiona a necessidade dos gastos no momento. Já Tavares reclama que as medidas seriam uma forma de atingir seu legado. "Está desfazendo tudo o que eu fiz. (A compra da Câmara) Era um encaminhamento da maioria. Fiz porque era o presidente da Casa. Como não sou mais e não tenho encontrado nenhum tipo de parceria na atual gestão, resolvi retirar e se ele quiser que encaminhe", justifica.

Apesar dos episódios e da insatisfação do ex-presidente, Sizenando prefere pôr panos quentes nos desentendimentos. "Quero ver o melhor para a Câmara. Não acredito que (a retirada do projeto) tenha sido algo para barrar. Quero comprar um prédio. Ou construir ou comprar uma nova sede para a Casa para não ter mais o aluguel."

Uma (re)conversa

Tão logo soube do arquivamento do processo de compra da antiga Canguru, Sizenando disse que irá reabrir conversa com os vereadores para avaliar as alternativas existentes de sede para o Legislativo. As principais são a reapresentação do projeto de aquisição na Lobo da Costa e a construção em terreno no prolongamento da avenida Bento Gonçalves, já doado pela prefeitura.

"Estou procurando uma localização boa, que a comunidade pegue um ônibus só para chegar. Vamos construir acordo entre os vereadores, nada sozinho. Já estamos trabalhando direto, falando com imobiliárias", finaliza.

Idas e vindas

Somente na atual legislatura, a compra de uma sede própria para o Legislativo teve pelo menos três possíveis endereços. Confira alguns dos principais avanços e retrocessos:

  • Em novembro de 2018, o então presidente Anderson Garcia (PTB) abre edital para que interessados em negociar imóveis para a Câmara se apresentem. A Caixa Econômica Federal envia documento manifestando intenção de venda do prédio no Calçadão (rua Quinze de Novembro, 570). Dias depois, com a notícia veiculada, representantes do banco recuam.
  • Em maio de 2019, sob a gestão de Tavares, o Legislativo anuncia ter fechado negócio para comprar a sede atual ao custo de R$ 4,550 milhões. Contudo, outros parlamentares reclamam da decisão e contestam o valor. O caso vai parar no Ministério Público, que aponta compatibilidade da avaliação. Mesmo assim, os questionamentos em plenário travam o negócio.
  • No fim do ano, após vistoria no antigo imóvel da Canguru Embalagens, Tavares protocola projeto para compra do local por R$ 5,5 milhões. Na última quinta (13), o texto é arquivado.

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