Pandemia

Comitê prepara projeto para cadastrar população "invisível" de Pelotas

Busca ativa por pessoas que não recebem auxílio emergencial do governo federal deve contar com apoio de secretarias municipais

03 de Julho de 2020 - 22h07 Corrigir A + A -
Este é o primeiro projeto do grupo dedicado a encontrar alternativas de recuperação da economia pós-pandemia (Foto: Rodrigo Chagas - Ascom)

Este é o primeiro projeto do grupo dedicado a encontrar alternativas de recuperação da economia pós-pandemia (Foto: Rodrigo Chagas - Ascom)

Um dos temas debatidos na reunião online, mensal, do Comitê Pró-Economia, foi a efetivação do projeto de identificação de pessoas que deveriam estar recebendo benefícios sociais, como o auxílio emergencial. O grupo ainda falou sobre a importância de construir um projeto de desenvolvimento geral e a longo prazo para o município e sobre o atual momento da pandemia do novo coronavírus em Pelotas.

A videoconferência foi aberta com a retomada da proposta feita no último encontro entre os representantes de vários setores da economia local de identificar a população considerada "invisível", ou seja, que está à margem de alguns benefícios sociais, como o atual auxílio emergencial. Os representantes das duas universidades, Federal e Católica, professores Rafael Garcia e Ezequiel Megiato, sugeriram a busca ativa pelos moradores de Pelotas, como forma de começar a concretizar a proposta, contando com o auxílio do Município e até mesmo igrejas que executem trabalho social.

"Através de uma ação conjunta com outras áreas, como a saúde, a assistência social, que realizem um trabalho mais próximo dessa população poderemos ter um número real de quantas pessoas fazem parte desse público que, inclusive, não tem informação sobre o benefício que pode receber", explicou Megiato, que propôs a criação de um formulário a ser preenchido durante a ação.

A prefeita demonstrou interesse na proposta, já que pode ser a forma mais ágil de encontrar essas pessoas: as que se tornaram "invisíveis" pela perda momentânea da renda e estão fora de programas sociais e, também, as que nunca tiveram acesso. 

"Precisamos saber o tamanho dessa população, onde ela está, para determinar como agir para ajudar essas pessoas. Vou encaminhar a proposta, à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), de que os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) sejam os interlocutores desse cadastramento nos bairros, assim como à Secretaria de Assistência Social (SAS) através do trabalho realizado pelos CRAS", se comprometeu Paula, que também se disponibilizou para mobilizar igrejas católicas e evangélicas nesse mutirão de mapeamento.

Longo Prazo

O grupo também deliberou sobre a sugestão do presidente da Aliança Pelotas, Amadeu Fernandes, para a construção de um Plano de Desenvolvimento Geral para o município. "Precisamos começar a pensar, a exemplo de outros municípios que já têm esse tipo de iniciativa, um projeto capaz de ultrapassar governos e acompanhar as necessidade de desenvolvimento da sociedade local", destacou o empresário.

A proposta deve ser estruturada a partir do compartilhamento de informações e necessidades dos setores que compõem a economia local, que devem ser representados pelas entidades setoriais. "Precisamos aproveitar o momento e ter uma conversa com os setores, saber que projetos tinham antes do coronavírus e o que pretendem manter, assim podemos passar a delinear um plano de desenvolvimento a longo prazo", propôs Megiato.

Paula aprovou a ideia e solicitou aos representantes do comércio local que alinhem a pauta para que na próxima reunião do Comitê, o grupo seja o primeiro setor local a expor o momento atual vivido e o que espera do futuro.

Pandemia

A gestora municipal compartilhou com os integrantes do Comitê Pró-Economia a preocupação com o agravamento da pandemia causada pelo novo coronavírus em Pelotas. Paula explicou que a estabilidade mantida até pouco tempo, está sendo substituída pelo aumento no número de casos e o agravamento da situação das pessoas contaminadas, com destaque para os internados.

"Temo que possamos entrar na bandeira vermelha - do modelo do distanciamento controlado do governo do Estado - e, isso pode representar darmos alguns passos para trás e até mesmo sermos mais rígidos. Tudo para não chegarmos ao colapso do nosso sistema de atendimento hospitalar", salientou a gestora.

A prefeita também expôs aos participantes do Comitê novos obstáculos que têm surgido para a ampliação do atendimento especializado em casos de infecção pelo novo coronavírus, entre eles a falta de profissionais para formar as equipes de profissionais de saúde. " Estamos vivendo um momento difícil para a contratação de profissionais, principalmente de pessoas mais experientes em casos graves. Não existem médicos, enfermeiros disponíveis", desabafou.

Ainda sobre as ações de enfrentamento à Covid-19, a possibilidade de mapear as pessoas infectadas, como uma forma de prevenção à expansão da pandemia, foi sugerida pelo professor de economia da UFPel, Felipe Garcia. "Precisamos saber onde estão esses contaminados, em quais setores as pessoas estão mais expostas, assim podemos ajudar a evitar o contágio", explicou.

A ação de classificar as pessoas com testes positivos a partir dos setores econômicos em que atuam, foi anunciada como uma das próximas iniciativas da administração municipal.

Mas o que precisamos, com urgência, é que as pessoas voltem a cumprir o isolamento social, sigam os protocolos determinados nos decretos municipais - vamos manter as fiscalizações , sermos mais rígidos-, para que tenhamos fôlego para atendermos quem ficar doente e precisar do sistema de saúde", disse Paula ao pedir que os integrantes do Comitê multipliquem o alerta da necessidade de cumprir as normas de prevenção à Covid-19.


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