Sem acordo

Comerciantes protestam contra decreto de reabertura do Pop Center

Após anúncio de Paula Mascarenhas sobre liberação do local, permissionários se manifestaram em frente à prefeitura

04 de Junho de 2020 - 19h29 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

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Comerciantes alegam que volta à área interna do centro comercial pode colocar trabalhadores e consumidores em risco de contágio por Covid-19 (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Anunciada pela prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) na manhã desta quinta (4) com ares de boa notícia, a reabertura do Pop Center de Pelotas provocou efeito contrário entre os proprietários de bancas no local. Poucas horas depois da decisão do Executivo, centenas de comerciantes foram até a prefeitura e protestaram contra a retomada das atividades, programada para a próxima segunda (8). Com cartazes, apitos e gritos, o grupo chegou a colocar fogo em pneus e interromper o trânsito na frente da sede do governo.

Com o centro comercial fechado desde 20 de março por conta de medidas de prevenção ao novo coronavírus adotadas pelo município, cerca de cem lojistas têm atuado na área externa do prédio, em bancas improvisadas. Diante do novo decreto divulgado ontem para reabertura do Pop Center, os trabalhadores acusaram o  governo de colocar em risco a saúde que camelôs e clientes.

"É um prédio que não tem a mínima condição de receber os camelôs. Estão colocando em risco a vida de 570 vendedores e dos clientes", reclamou Celeste Silva. Segundo ela, os corredores apertados e a falta de ventilação poderiam contribuir para a infecção de quem trabalha e consome. Assim como outros donos de bancas, ela também afirma que, com a economia desaquecida e fronteiras com países vizinhos fechadas para compra de mercadorias, a maioria não teria condições de pagar as taxas ao Pop Center.

Na entrevista coletiva em que falou sobre o novo decreto, Paula disse que a reavaliação do Executivo sobre o fechamento do centro comercial ocorreu após consulta ao comitê de crise. "Está na hora (de reabrir), podemos avançar. Tem muito ambulante na rua e isso, para a organização da cidade, não é bom”, argumentou. Segundo ela, a permanência do Pop Center fechado e dos permissionários na rua foi uma necessidade temporária que, diante do cenário de estabilidade do coronavírus na cidade, pôde ser reavaliada.

Pelo decreto, a reabertura do local e o funcionamento das lojas terá limitações nos moldes das aplicadas ao Shopping Pelotas. Haverá medição de temperatura na entrada, cada uma das bancas poderá ter apenas uma pessoa trabalhando e a circulação no centro comercial não deverá ultrapassar 30% da lotação indicada pelo Corpo de Bombeiros no Plano de Prevenção Contra Incêndios (PPCI). Além disso, todos os trabalhadores deverão usar máscaras, fazer a higienização dos locais e disponibilizar álcool gel.

Busca por um acordo

Com o protesto na rua, representantes de comerciantes e da empresa responsável pela gestão do Pop Center se reuniram com a prefeita. Os principais pontos de discórdia foram o valor do aluguel e o prazo para retorno ao prédio. Enquanto concessionários defendiam a retomada imediata, com carência de duas semanas no aluguel e, após, descontos regressivos até a normalização em dez semanas, os permissionários pediam mais 30 dias até voltar para dentro do empreendimento e aluguéis reduzidos à metade por um ano.

Diante do impasse, a prefeita tentou apresentar uma proposta intermediária para que as bancas voltem ao Pop Center no menor tempo possível. "Podemos discutir um prazo mínimo para retorno, mas não que seja em 30 dias. Hoje fui desrespeitada, a cidade foi desrespeitada com essa manifestação", afirmou. Segundo ela, epidemiologistas ouvidos pelo governo afirmam que seria possível a reabertura das bancas em segurança diante dos protocolos indicados.

Após mais de três horas de reunião a portas fechadas, prefeitura, permissionários e administração do Pop Center não chegaram a um acordo. Segundo o Executivo, as alternativas seguirão sob avaliação.

Outras mudanças

Além de tratar do Pop Center, o decreto também traz novas orientações a todos os lojistas de centros comerciais sobre a notificação de contaminações por Covid-19. Caso um funcionário seja diagnosticado com o vírus, isso deverá ser informado pela empresa à administração do local para registro junto à Vigilância Epidemiológica. A partir disso, o trabalhador terá se afastar das atividades por pelo menos 14 dias.

O texto trata ainda da autorização à prova de roupas e calçados nas lojas. A ação estava vedada em decretos anteriores por recomendação da Secretaria Estadual da Saúde para evitar o contágio pelo vírus. Contudo, com nova portaria da pasta permitindo aos consumidores experimentar as peças antes da compra, o mesmo poderá ser feito no município. A permissão, entretanto, será limitada a calçados e peças como calças e outras que não entrem em contato com o rosto. Provas de camisetas, blusas e outras do tipo seguem proibidas.

 

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