Laranjal do PSL

Com ministro indiciado, Bolsonaro recebe diretor da PF fora da agenda

Presidente conversou na sexta-feira com o comandante da Polícia Federal, que investiga ministro do Turismo por conta de candidaturas laranja

06 de Outubro de 2019 - 11h21 Corrigir A + A -

Por: Redação
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Bolsonaro e Marcelo Alvaro Antonio 010819 - Marcos Correa PR

Dinheiro do fundo eleitoral de candidaturas-fantasma teria sido usado para pagar materiais de campanha de Bolsonaro e de Marcelo Álvaro Antônio em 2018 (Foto: Marcos Corrêa - PR)

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) evitou comentar com a imprensa a razão do encontro fora da agenda entre ele e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Valeixo. Ambos conversaram no fim da tarde de sexta-feira (4) no Palácio do Planalto, horas depois do indiciamento do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

O titular da pasta é acusado pela PF e também pela Procuradoria Eleitoral do Ministério Público de Minas Gerais de liderar esquema de candidaturas-laranja do PSL. O objetivo do plano era acessar recursos públicos do fundo eleitoral para auxiliar a sigla na eleição de 2018.

Em depoimento à PF, Haissander Souza de Paula, ex-assessor parlamentar de Marcelo Álvaro Antônio, que foi coordenador de sua campanha a deputado federal por Minas Gerais, teria dito que parte do dinheiro arrecadado com o chamado laranjal do PSL custeou material das campanhas do hoje ministro e também à de Bolsonaro à Presidência. 

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, uma das planilhas de controle de gastos usadas pela campanha de Álvaro Antônio faz referência à destinação de material eleitoral para Bolsonaro. O gasto seria acompanhado da marcação “out”, o que, dizem os investigadores, indicaria o pagamento “por fora”, com caixa 2.

Questionado no sábado por repórteres na saída do Palácio do Planalto sobre o teor da conversa com o diretor-geral da PF, o presidente disse que a reunião foi sobre “tudo que você possa imaginar”. Na noite anterior, quando abordado sobre a denúncia contra o seu ministro, Bolsonaro repetiu por três vezes que não comentaria o caso. 

Diante da insistência dos repórteres em saber sua posição, o presidente voltou a atacar a imprensa. “Não tem coisas boas para perguntar para mim? Ralo o dia todo, e não tem uma coisa para perguntar?”, disse, retirando-se para atender apoiadores. Minutos depois, Bolsonaro retornou e pediu desculpas aos jornalistas. Ele justificou a reclamação por estar “de cabeça quente”, mas continuou sem dar comentar o caso do ministro do Turismo.


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