Futuro

Cinco desafios que o governo Paula terá em 2020

Prefeita de Pelotas inicia último ano de mandato tendo que solucionar problemas financeiros e políticos em meio à disputa eleitoral

04 de Janeiro de 2020 - 09h02 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Paula Mascarenhas 281119 - Gustavo Vara Ascom(Foto: Gustavo Vara - Ascom)

O ano novo para o governo de Pelotas começa trazendo consigo a inevitável bagagem de 2019. Em meio a avanços como a redução de índices de criminalidade e a entrega de obras em algumas das principais vias da cidade, o governo Paula Mascarenhas (PSDB) também tem problemas a resolver. Ainda sem bater o martelo se irá concorrer à reeleição, antes de encerrar seu último ano de mandato a prefeita precisará lidar com temas. O Diário Popular listou cinco pontos chaves que devem ser desafios ao governo em 2020 e se refletir diretamente na entrega de serviços à população.

1) Crise financeira

Pela primeira vez na década, em 2019 a prefeitura fecha o ano no vermelho. Mesmo aumentando a arrecadação em R$ 30 milhões, obtendo empréstimo de R$ 10 milhões com o Legislativo e cortando gastos, o déficit projetado é de R$ 5 milhões. Além de carregar este passivo, em 2020 a previsão é de um orçamento apenas 2,4% maior que o atual, o que significa também o menor reajuste em dez anos. Para a socióloga e cientista política Elis Radmann, a conjuntura política e econômica do país influencia neste contexto, agravado pela dificuldade dos governos em fazer reformas administrativas e pelo aumento dos gastos. A prefeita reconhece o cenário, mas alega que a crise no caixa está diretamente ligada a um aumento recente de despesas com previdência, financiamentos, precatórios e ações judiciais do magistério obrigando o pagamento do piso a 70% da categoria sem que houvesse adequação do plano de carreira. Quanto ao crescimento modesto do orçamento, Paula nega que seja motivo de preocupação. "Se olhares as receitas, o incremento previsto é maior do que no ano passado, em torno de 3,5%. Ou seja, esse crescimento a menor não é fruto de crise, mas o encerramento de um ciclo de investimentos", diz, referindo-se à redução de repasses federais para obras.

2) Relação com o funcionalismo

Os cofres vazios resultaram em atraso de salários no final de 2019, com grande preocupação de repetição do problema em 2020. Paula tem insistido na necessidade de levar adiante temas como as reformas previdenciária e de carreiras, sobretudo do magistério, promovendo adequações salariais. As discussões entre Executivo e Sindicato dos Municipários devem se prolongar, já que os servidores têm rejeitado as propostas e pressionado a Câmara, que adiou o debate dos projetos. Enquanto isso, a prefeita argumenta que a dificuldade aumenta. o governo terá que encontrar alternativas políticas e de gestão para pagar salários em dia e evitar bloqueios judiciais de recursos de outras áreas.

3) Falta de articulação política

Filme repetido. Novamente, sem suficiente apoio político no Legislativo, como no fim de 2018, Paula não avançou em 2019 nos projetos prioritários para seu governo como a Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (Cosip) e a PPP para o setor. A resistência provocou, inclusive, a saída do PSB do grupo de aliados na administração. Ficou para 2020 a tarefa de tentar, novamente, reconstruir a base. Segundo Elis Radmann, a falta de sustentação é resultado da aversão popular a novos tributos, misturada ao olhar dos parlamentares no resultado das urnas. "Isso traz um dilema para os políticos que vivem de votos. A resistência aos projetos da prefeitura é uma forma de sobrevivência política", analisa. Uma das raras vitórias na Câmara, a aprovação do Programa de Parcerias (Proppel) é citado pela prefeita como bom resultado político. "A atualização da lei das PPPs coloca Pelotas num outro patamar na busca por investimentos privados", celebra.

4) Ano eleitoral

Na avaliação de Elis Radmann, a disputa nas urnas em 2020 tende a ser de maior dificuldade para o governo. "O ano eleitoral, sempre diminui um pouco a capacidade administrativa dos prefeitos, seja pelos interesses políticos dos aliados, ou pelas restrições legais", explica. Mais do que encerrar o mandato cumprindo promessas e o plano de governo, Paula tem a pressão política interna de concorrer ou, pelo menos, pavimentar caminho a um candidato a substituí-la. Apesar disso, a prefeita projeta a entrega de novas obras e aumento de investimentos em saúde e educação.

5) Finalização de projetos

Com diversas obras em andamento, Paula frequentemente é alvo de críticas da oposição e parte da população pela demora nas entregas. Investimentos altos como a UPA da Bento Gonçalves (pronta, mas ainda inoperante) e a Estação de Tratamento de Água (ETA) São Gonçalo continuam sem uma data prevista para inauguração. "A ETA São Gonçalo já tem 70% de execução. Faltam R$ 15 milhões em repasses do governo federal. Ela tem condições de ser entregue em 2020", indica Paula. Já a UPA será um Centro de Especialidades. A conferir também os canteiros da avenida Duque de Caxias, a requalificação da avenida Mário Peiruque e pavimentações no Balneário dos Prazeres, Laranjal, Pestano, Getúlio Vargas, Santa Terezinha e Fragata. "A população questiona como pode ter obras de um lado e falta de dinheiro para pagar os salários de outro", comenta Elis Radmann. A cientista política do Instituto Pesquisas de Opinião (IPO) diz que, mesmo com essa impaciência com as obras e desgaste recente pelos atritos com servidores, a prefeita mantém a aprovação de pouco mais da metade da população.


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