Investimento

Chuí e Santa Vitória buscam instalação de superporto

Inicialmente previsto para o Uruguai, terminal destinado a navios de grande porte é negociado com empresas e Estado

13 de Fevereiro de 2019 - 21h11 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Tecon Rio Grande - Divulgacao

Em estudo desde 2014, projeto de porto abortado pelo governo uruguaio mira extremo sul gaúcho, mas prefeito do Chuí nega que possa prejudicar Rio Grande (Foto: Suprg - Divulgação)

Ainda estão em fase inicial, mas as negociações para a construção de um porto marítimo no extremo sul do Estado deixam o prefeito do Chuí, Marco Antônio Barbosa (DEM), animado. Desenhada para receber navios de grande porte, a proposta foi apresentada esta semana ao secretário estadual de Articulação e Apoio aos Municípios, Rodrigo Lorenzoni. A ideia é contar com apoio do Palácio Piratini para criar condições do investimento.

Previsto para se instalar em área com cerca de 1,5 mil hectares entre a Barra do Chuí e o Hermenegildo, em Santa Vitória do Palmar, o projeto não é novo - e nem pouco polêmico. A ideia inicial era que o terminal fosse sediado no departamento de Rocha, no Uruguai, a 84 quilômetros da fronteira com o Rio Grande do Sul, e 80% financiado com recursos do BNDES. No entanto, alegando não haver demanda para a estrutura, o governo uruguaio desistiu do projeto em 2015. Com isso, o foco teria virado para a fronteira gaúcha.

Estimado em US$ 3,5 bilhões, o investimento partiria de um consórcio formado por duas empresas da Espanha e Inglaterra que já atuam no setor portuário. Os nomes, no entanto, estão sendo mantidos sob sigilo. Segundo Barbosa, a divulgação só ocorrerá após concretizada a compra das áreas. O porto prevê calado (profundidade) de 24 metros, o que faria dele o segundo com essa característica na América do Sul, permitindo a movimentação de embarcações com até 180 mil toneladas de cargas. Bem acima da capacidade de Rio Grande, principal do Estado, que conta com calado de 12 metros e suporta navios com até 78 mil toneladas.

Para o prefeito do Chuí, a possível construção do superporto a apenas 230 quilômetros de Rio Grande não prejudicaria a atual estrutura. "Vai até ajudar. Muitos navios não estão passando pelo Rio Grande do Sul e pelo Brasil por não termos portos com esse calado. Portanto, não há interferência em Rio Grande", afirma.

O prefeito aponta ainda benefícios indiretos à região, com arrecadação de impostos e criação de três mil empregos, sendo parte mão de obra local. "A ideia é que existam cidades-satélite dentro do município, próximas ao porto. A infraestrutura eles [os investidores] fariam. Ajudariam projetando até um pequeno hospital para a cidade e escolas", vislumbra Barbosa.

O estágio atual

Com uma carta emitida no ano passado pelo governo do Estado, apontando a intenção de contar com o novo porto, o estágio atual é de negociação política. Investidores e prefeitos dos municípios têm se reunido com órgãos estaduais para obter informações sobre as licenças necessárias. Uma reunião com representantes do Ibama em Brasília também deverá ser marcada.

Barbosa afirma que o processo de negociação para compra da área de 1,5 mil hectares entre Chuí e Santa Vitória do Palmar está em andamento. Segundo ele, assim que o negócio for fechado será apresentada a documentação para obtenção da licença ambiental.

A posição de Rio Grande

O Diário Popular tentou contato com o superintendente do Porto de Rio Grande, Fernando Estima, para comentar o apoio do governo gaúcho ao projeto e possíveis impactos da instalação de um novo terminal de grande porte no Estado. Contudo, não houve resposta às ligações até o fechamento desta reportagem.


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