Investigação

Câmara apura suposto ritual religioso no prédio

Presidente do Legislativo de Pelotas pediu sindicância sobre indícios que teriam sido encontrados no gabinete da presidência

08 de Janeiro de 2022 - 10h51 Corrigir A + A -
Para investigar o caso, que supostamente teria partido de um vereador ou servidor, Marcola solicitou a abertura de sindicância

Para investigar o caso, que supostamente teria partido de um vereador ou servidor, Marcola solicitou a abertura de sindicância

Está sob investigação na Câmara de Vereadores de Pelotas um possível trabalho religioso realizado no gabinete da presidência entre o fim do ano passado e começo deste ano. Segundo o presidente da Casa, Marcos Ferreira, o Marcola (PTB), servidores encontraram um pó granulado não identificado, semelhante a areia, no dia 1° de janeiro.

Para investigar o caso, que supostamente teria partido de um vereador ou servidor, Marcola solicitou a abertura de sindicância, conduzida por um assessor jurídico e dois funcionários de carreira do Legislativo. Caso haja comprovação de que os indícios encontrados se tratam de um ritual religioso, a Câmara poderá abrir Processo Administrativo Disciplinar (PAD), se feito por um servidor. Na hipótese de o responsável pelo suposto trabalho ser um parlamentar, o caso deve ser enviado para análise do Conselho de Ética.

Entre frequentadores da Câmara, há relatos de que de teria havido um ritual religioso envolvendo, inclusive, sangue de animal, penas, pipoca e outros artefatos. De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, a realização seria uma praxe dentro da Casa, especialmente na virada do ano, já tendo sido flagrada em anos anteriores. Desta vez, teria ocorrido na virada do ano, antes da posse temporária de Cesar Brisolara, o Cesinha (PSB), como presidente do Legislativo devido a Marcola ter assumido interinamente a prefeitura. O vereador do PSB não teria envolvimento com o caso.

Apesar destes relatos, algumas das pessoas com trânsito dentro do Legislativo ouvidas pelo DP minimizam a tese de um ritual no prédio, afirmando tratar-se de um mal entendido.

Marcola evita emitir opinião sobre o caso e diz que prefere esperar o resultado da sindicância. De acordo com a assessoria jurídica da Câmara, se houver avanço na hipótese de trabalho religioso, a punição poderá ter desde penas mais brandas, como advertência verbal ou escrita, até exoneração de servidor ou cassação de mandato de vereador.

"Exorcismo" em plenário

Esta não é a primeira vez que um suposto ritual religioso é tema de debate na Câmara de Vereadores em Pelotas. Em 2008, o então vereador Cláudio Insaurriaga, o Cururu (PV), simulou um "exorcismo" em plenário. Dias antes, foram encontrados bonecos alfinetados dentro de um caixão, junto com a foto de cinco vereadores integrantes da Mesa Diretora. O parlamentar justificou à época sua ação em plenário como para tirar o vodu sobre os parlamentares. O episódio culminou com sua cassação por quebra de decoro. "Nessa ocasião teve algo provocado pelo vereador na tribuna do parlamento em plenário. No caso atual, precisa ser investigado para se ter uma conclusão", pondera Marcola.

Dentro da Casa, a sindicância deve levar o caso adiante para elucidar se houve ou não o trabalho religioso e identificar as partes possivelmente envolvidas. O processo está interrompido devido à suspensão das atividades presenciais na Câmara, determinada pela presidência por conta dos casos de Covid-19 entre assessores e servidores.

Propriedade intelectual do Jornal Diário Popular

Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados