Política

Bolsonaro pressiona STF por retomada da economia

Presidente e empresários reclamam de impactos de restrições impostas por estados e municípios; novo decreto inclui atividades essenciais

07 de Maio de 2020 - 19h07 Corrigir A + A -
Presidente voltou a dizer que o novo coronavírus tem causado uma crise grave e que os efeitos do controle sobre o funcionamento de setores econômicos não podem ser maiores que os problemas causados pela doença (Foto: Marcos Correa - Presidência da República)

Presidente voltou a dizer que o novo coronavírus tem causado uma crise grave e que os efeitos do controle sobre o funcionamento de setores econômicos não podem ser maiores que os problemas causados pela doença (Foto: Marcos Correa - Presidência da República)

Em mais um gesto público de descontentamento com as restrições à atividade econômica impostas por governadores e prefeitos, Jair Bolsonaro foi nesta quinta-feira (7) ao Supremo Tribunal Federal pressionar pela flexibilização do distanciamento social. Acompanhado de empresários e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente caminhou do Palácio do Planalto até a sede da Corte para um encontro fora da agenda com o ministro Dias Toffoli, presidente do STF.

Bolsonaro voltou a dizer que o novo coronavírus tem causado uma crise grave e que os efeitos do controle sobre o funcionamento de setores econômicos não podem ser maiores que os problemas causados pela doença. "Economia é vida. Um país em que a economia não anda, a expectativa e o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) vão lá para baixo", pontuou. Em uma ação que causou incômodo à Corte, o presidente transmitiu a reunião ao vivo nas redes sociais sem que houvesse sido acordado com Toffoli.

Bolsonaro buscou dividir a responsabilidade sobre a crise com o tribunal, que tem reconhecido a autonomia de prefeitos e governadores em adotar medidas locais de restrição. Enquanto os empresários ressaltaram que são capazes de retomar a produção com capacidade máxima e respeitando protocolos de saúde, Guedes afirmou que o Brasil corre "risco de virar uma Venezuela" ou ver a inflação retornar, comparando à situação da Argentina.

Diante das manifestações, Toffoli fez um discurso com elogios ao governo federal, classificando como bom o trabalho feito pelos ministérios no controle da Covid-19. Contudo, fez cobranças sutis a Bolsonaro ao dizer que cabe ao Executivo coordenar um processo de retomada gradual da economia. O presidente do STF sugeriu que seja criado um comitê de crise capaz de articular ações com estados e municípios. "Temos uma Constituição que garante competências específicas para os entes da federação. Isso que o Supremo tem decidido. Mas sempre respeitando as competências da União, as competências nacionais de orientação quanto às atividades essenciais", declarou.

Novo decreto

Logo após a reunião, ainda na frente do STF, Bolsonaro comparou a situação econômica do país à de um paciente que está na UTI. O presidente anunciou que, diante do entendimento do Supremo de que governadores e prefeitos podem impor regras de fechamento a atividades não essenciais, dará início à publicação de decretos incluindo novas atividades entre as fundamentais no país. A primeira delas é a construção civil.

"Acabei de assinar um decreto colocando nesse rol de atividades essenciais a construção civil. Outros virão nas próximas horas, nos próximos dias", afirmou. Bolsonaro disse ainda que "alguns estados exageraram" nas restrições. "Então vamos começar a colocar mais categorias essenciais para podermos abrir com responsabilidade e observando as normas do Ministério da Saúde, de modo que possamos cada vez mais rápido voltar à atividade normal. Do contrário, depois da UTI é o cemitério", finalizou

Leite: "É uma manobra"

Horas após o anúncio de Bolsonaro, Eduardo Leite (PSDB) comentou a inclusão de novas atividades na lista de essenciais em todo o Brasil. Segundo o governador, a ação tenta retirar autonomia de estados e municípios no controle da pandemia.

"É uma manobra para tirar dos governos subnacionais a possibilidade de fechar estes serviços. Mas temos a possibilidade de controlar em que condições poderão trabalhar estas atividades", avaliou o governador.


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