Saúde

Azonasul reforçará ao governo impacto da Santa Casa nos municípios

Prefeitos terão reunião com a secretária estadual da Saúde e pedirão suporte para que crise do hospital não interfira no acolhimento

05 de Agosto de 2019 - 21h31 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Câmara e Azonasul articulam encontros com representantes dos governos estadual e federal para tratar da crise no hospital (Foto: Paulo Rossi - DP)

Câmara e Azonasul articulam encontros com representantes dos governos estadual e federal para tratar da crise no hospital (Foto: Paulo Rossi - DP)

A Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) prepara para as próximas três semanas uma agenda intensiva com representantes dos governos estadual e federal para discutir a situação da Santa Casa de Pelotas. A participação direta da entidade foi definida nesta segunda (5) após encontro com integrantes da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores que na semana passada estiveram no hospital conferindo os problemas enfrentados pela gestão e que impedem o atendimento pleno pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Recentemente objeto de uma consultoria do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, a principal casa de saúde pelotense teve diagnosticada como principal dificuldade o baixo fluxo de caixa. Com dívida estimada em R$ 50 milhões com empresas, fornecedores e trabalhadores, a Santa Casa afirma que não possui recursos suficientes para manter em dia salários dos funcionários e compra de suprimentos básicos para o atendimento. Por conta disso, a entidade tenta obter junto ao Banrisul recursos para, pelo menos, três meses de folhas. Empréstimo que, conforme o provedor João Francisco das Neves, normalizaria pagamentos e permitiria a contratação de novos médicos.

Com a criação de uma mobilização em favor da Santa Casa a partir da Comissão de Saúde, os vereadores Marcos Ferreira, o Marcola (PT), e Daiane Dias (PSB) pediram apoio ontem à Azonasul. “É importante que o conjunto de 23 municípios que se utilizam dos serviços da Santa Casa participem da mobilização e, a partir disso, possamos dar peso ao movimento e sensibilizar o governo do Estado”, diz o parlamentar petista.

Agendas em sequência

Conforme o prefeito do Capão do Leão e presidente da Azonasul, Mauro Nolasco (PT), os municípios da região tem sentido os efeitos da crise da Santa Casa também no Pronto Socorro. Com a falta de leitos disponíveis para internação no hospital, o serviço de urgência e emergência fica lotado e prejudica o acolhimento dos pacientes.

“Na próxima sexta teremos reunião da associação em São Lourenço do Sul com a secretária estadual Arita Bergmann. Vamos alertar sobre isso, pois precisamos de uma solução”, afirma Nolasco. Além da secretária, em encontro em Porto Alegre no dia 14 o próprio governador Eduardo Leite (PSDB) ouvirá pedido dos prefeitos para que viabilize recursos ao hospital. No dia 16, às 14h, a Santa Casa deve apresentar em audiência pública na Câmara de Pelotas um raio-X da instituição. “De posse dessas informações, levaremos também ao Ministério da Saúde entre os dias 19 e 23 em Brasília a demanda de recursos aos nossos hospitais”, completa o presidente da Azonasul.

Leitos desocupados

Segundo levantamento feito pelo Conselho Municipal de Saúde, nesta segunda pela manhã o Pronto Socorro de Pelotas contava com 63 pacientes em suas dependências. Ao mesmo tempo, a Santa Casa tinha 53 leitos vagos. Em contato com o hospital, o Diário Popular foi informado de que só hoje seria possível uma manifestação sobre os leitos desocupados. Na quarta-feira passada, o provedor João Francisco das Neves atribuiu a capacidade ociosa da instituição à falta de equipes médicas.

 


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