Atrito político

Acusações causam rompimento na prefeitura de Morro Redondo

Vice-prefeito Velocino Leal (PP) aponta irregularidades na gestão de Diocélio Jaeckel (PTB), que atribui denúncias a interesse eleitoral

22 de Agosto de 2019 - 21h11 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Um prefeito que diz não ter tranquilidade ao sair de perto do gabinete e um vice com estrutura de trabalho reduzida após denunciar supostas irregularidades em obras públicas. Em poucas palavras, este poderia ser o resumo da situação entre as duas principais autoridades políticas de Morro Redondo. Com o acirramento dos conflitos desde o começo do ano, esta semana Diocélio Jaeckel (PTB) e Velocino Leal (PP) formalizaram o rompimento político após uma nota pública do progressista anunciando o fim da união entre os partidos.

Coligados desde 2016, quando disputaram e venceram a eleição no município, petebistas e progressistas não se entenderam na prefeitura. Contudo, desde o começo de 2019 a escalada de atritos foi ampliada por acusações de Leal contra Jaeckel. O vice atribui ao prefeito a responsabilidade por possíveis irregularidades em obras de pavimentação de uma das principais vias da cidade, a avenida Jacarandá. Segundo ele, o trabalho estaria sendo executado pela segunda vez por conta de uso de material de baixa qualidade. Prejuízo que Leal calcula em pelo menos R$ 130 mil.

"Tem documento, tem tudo. Aí que parei os pés com ele (prefeito). Em janeiro assumi a prefeitura dia 1º e em 15 dias ele voltou e me tirou porque eu estava descobrindo isso", acusa. Insatisfeito com o que considera perda de espaço - incluindo demissão de CCs de sua indicação e restrição ao uso de carros e maquinário -, Leal divulgou nota pondo fim à parceria política. "Vou continuar como vice-prefeito, mas ele já me tirou fora da prefeitura. Tirou meus secretários, carro, tudo", reclama.

"Não consigo tirar férias"

Integrando comitiva Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) em Brasília durante esta semana, o prefeito Diocélio Jaeckel diz que tem evitado se afastar da cidade para evitar que o vice assuma as rédeas do Executivo. "Não consigo tirar férias. É complicada uma relação assim. Desde o primeiro ano fui levando, mas chegou um ponto agora em que não tem como", diz. Ele acusa o Leal de, quando à frente da prefeitura, promover perseguição e denúncia contra servidores.

Sobre as acusações de problemas na contratação e execução de obras de pavimentação, Jaeckel diz que o trabalho se iniciou no governo anterior, enquanto era vice, e que está sendo mantido dentro da normalidade. "Isso passa pela aprovação de engenheiros da Caixa. O que estava irregular, que foi o não acompanhamento da empresa que estava fazendo o calçamento com o material inferior à qualidade, rescindi o contrato em agosto do ano passado e não contratei mais esta empresa", argumenta.

O prefeito afirma haver interesse eleitoral por parte do PP do município, visto que Leal e Jaeckel disputam em 2020 - desta vez separadamente - o cargo de prefeito. "Tem toda essa intenção por trás. Do partido deles nem quero mais assunto, vou procurar outros partidos."


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