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A caminho de uma eleição incomum

A três meses do primeiro turno, contexto eleitoral em Pelotas tem muito mais indefinições do que certezas sobre candidaturas e campanhas

15 de Agosto de 2020 - 08h36 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Talvez você leve um susto: faltam apenas três meses para a eleição. Bem menos tempo, por exemplo, do que o período em que convivemos com a pandemia. E esta crise sanitária que concentra as atenções e desafia a população é também a barreira a ser superada pelos partidos, que tentam consolidar suas chapas e planejar campanhas. Até o momento, poucas são as certezas sobre candidaturas.

Paula Mascarenhas 050820 - Michel Corvello Ascom

Talvez a única certeza existente seja a de que a prefeita tentará a reeleição. Embora originalmente não fosse seu desejo, Paula Mascarenhas (PSDB, foto) cimentou a intenção de permanecer no cargo. No entanto, provavelmente não concorrerá com o mesmo vice, Idemar Barz (PTB). Não é novidade que a tucana promove uma espécie de concorrência pelo posto, com seis postulantes: além do próprio Barz, são avaliados Alexandre Garcia (PTB), Henrique Pires (PSL), Antônio Carlos Brod (Cidadania), Fábio Tedesco (PL) e Roger Ney (PP).

A escolha do vice de Paula, inclusive, tende a ser o marco de um aquecimento nas articulações. Prevista para esta semana, a definição é aguardada não só pelos seis nomes, mas também por outras siglas de olho em quem ficar de fora da chapa governista. “Está todo mundo de olho. Depois disso as melancias podem se acomodar e novas composições surgirem”, comenta um dos dirigentes ouvidos pelo Diário Popular.

Gilberto Cunha, dirigente tucano, diz que eventuais movimentações são comuns. Porém, o esforço é para que haja unidade. “É natural que alguém possa ficar descontente após a escolha. Porém, conversamos sempre sobre isso e há participação de todos. É um processo”, aponta.

PP: candidato a vice ou a prefeito?

Embora esteja entre aqueles que cotejam a vaga de vice de Paula, o PP também tem pré-candidato a prefeito. Fruto de uma dissidência interna que levou a maioria da nominata preliminar ao Legislativo a produzir um manifesto, os progressistas realizaram pré-convenção no começo do mês em que a maioria dos votantes indicou Fetter Jr. (foto) para liderar candidatura. Evento realizado à revelia de Roger Ney, presidente do partido.

Fetter Jr - Divulgacao

“Houve uma votação interna dentro das regras do partido. Entendo que ninguém é obrigado a concordar com o resultado, mas há que se respeitar a lei”, diz o ex-prefeito. Segundo ele, a defesa de candidatura do PP é uma resposta partidária ao que considera “um processo constrangedor” de definição do vice pelo atual governo. “Discordamos frontalmente, pois coloca no mesmo pé, em disputa pública, partidos com realidades diferentes. Desde quem não tem nominata completa de vereadores até quem tem parlamentares com dez anos de história. Deprecia especialmente quem ficar de fora.”

Em se confirmando a intenção progressista de candidatura, o parceiro favorito para formar a chapa é o DEM. O nome preferido seria o do atual presidente do diretório e ex-deputado Matteo Chiarelli. Os democratas, no entanto, também dialogam com o MDB, que tem como nomes possíveis para a disputa ao Executivo o advogado Fabrício Matiello e o empresário João Carlos Cabedal.

A reportagem tentou ouvir Roger Ney sobre a situação do partido e a indefinição quanto ao rumo eleitoral. O vereador e presidente da agremiação não quis dar entrevista. “Não tenho novidade. Acredito que as coisas se decidirão na próxima semana”, disse.

Esquerda: múltiplas candidatura

Após mais de um ano tentando sem sucesso formar uma “frente ampla” para enfrentar o grupo governista, os partidos de esquerda desistiram. Com isso, apostam em diferentes pré-candidaturas como instrumentos de concorrência ao Executivo. O caminho é visto também como opção para fortalecer a disputa por cadeiras na Câmara.

Ivan Duarte PT - Paulo Ferreira Camara de Vereadores

No PT, o vereador Ivan Duarte (foto) é o nome que rompe uma tradição de seis eleições municipais com o sobrenome Marroni nas urnas (entre 1996 e 2012 com Fernando e em 2016 com Miriam). “Oferecemos a posição de vice ao PCdoB e PSOL. Mas não há nada certo. Pelo contrário, eles também têm pré-candidatos a prefeito. Continuamos abertos a conversas”, diz o petista. Caso não encontre parceiro, o partido terá como vice a psicóloga Iyá Sandrali.

Já o PDT tem pré-convenção marcada para o dia 29, quando irá discutir as possibilidades de candidatura dos dois nomes possíveis da sigla: o advogado Reginaldo Bacci e o historiador Daniel Barbier. Presidente, o vereador Marcus Cunha chegou a falar em pré-candidatura no começo do ano, mas diante da impossibilidade da frente de esquerda, recuou. “É uma pena que não avançamos. Então teremos candidatura própria e continuamos conversando com alguns partidos como o PSB. Mas todos estão lançando candidatos a prefeito, ninguém quer ser vice. Isso dificulta”, comenta.

Tony Sechi - Divulgacao

Para Tony Sechi (foto), presidente do PSB e recentemente lançado pré-candidato, as portas a uma coligação não estão fechadas. Mas, admite, não há intenção em abrir mão da cabeça da chapa. “Estamos priorizando conversas com o PDT, com quem temos bom diálogo em nível nacional e estadual, e com o PCdoB. Definição mesmo só lá nas convenções, no começo de setembro.” Segundo ele, o objetivo é formar um grupo alternativo de centro-esquerda.

Pretendido como parceiro por PT e PSB, o PCdoB tem pela primeira vez um pré-candidato ao Executivo, o dirigente do Sindicato dos Servidores Municipais do Saneamento (Simsapel), Renato Abreu. Segundo o presidente do partido, a disputa à prefeitura é uma possibilidade, mas que pode ser mudada. “Conversamos com todos dentro do nosso campo político. Nunca colocamos como condição ser cabeça de chapa, mesmo em Porto Alegre onde Manuela tem grande densidade eleitoral”, diz Fernando Rosário.

No PSOL a decisão de ter nome disputando a prefeitura é definitiva. Julio Domingues, professor e chefe de gabinete da vereadora Fernanda Miranda, é o indicado. O partido tem o apoio do PCB, mas a posição de vice ainda é uma incógnita, afirma o secretário-geral Helder Oliveira. “Deve ser do próprio PSOL. Temos até a convenção em setembro para debater com calma internamente.”

Tentativas como vias alternativas

Marcelo Oxley PODEMOS - Arquivo Pessoal (1)

Um dos primeiros a apresentar pré-candidatura, o Podemos manteve contatos com MDB, DEM, PV, PSC e Patriota. Contudo, sem avanços que resultassem na formação de uma chapa. “Estamos trabalhando como uma alternativa de fato. Por isso a prioridade para que eu seja cabeça de chapa, embora reconhecendo que a formação de uma coligação é que garante competitividade”, avalia Marcelo Oxley (foto).

Com mudança recente em sua direção e chapa, o Patriota tenta se reorganizar para estabelecer a imagem de representante do bolsonarismo na eleição. Há duas semanas, a então pré-candidata Carla Mesko confirmou sua saída da disputa à prefeitura. O substituto deve ser o empresário Eder Brum Conceição, que assumiu o diretório no lugar de Marcelo Bagé. “A tendência é que na próxima semana a gente defina e possa pensar de fato nos próximos passos para uma campanha conservadora e de direita”, indica o presidente.

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