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64,3% dos eleitores gaúchos não sabem que irão eleger apenas um senador

Estudo do IPO, realizado em 41 cidades do Estado de forma presencial, também aponta que maioria desconhece as funções do cargo

04 de Agosto de 2022 - 08h30 Corrigir A + A -
Números apontam o distanciamento da sociedade à política (Foto: Infocenter DP)

Números apontam o distanciamento da sociedade à política (Foto: Infocenter DP)

Mais de 63% da região Pelotas - abrange os municípios de Rio Grande e Bagé - não têm conhecimento que nesta eleição é apenas um voto para senador. O dado foi revelado através de um estudo encabeçado pelo Instituto Pesquisas de Opinião (IPO). O levantamento foi feito entre os dias 18 e 22 de julho, em oito regiões do Rio Grande do Sul e, de forma presencial, entrevistou mil pessoas.

Além da região Pelotas, foram ouvidas as regiões Ijuí, Santa Maria, Uruguaiana, Passo Fundo, Caxias do Sul, Porto Alegre/Metropolitana e Santa Cruz do Sul, totalizando 41 municípios avaliados. A região de Uruguaiana se destaca por ser a população que mais tem esse conhecimento: 38,6%. Santa Cruz acaba levando a pior: 71% não têm conhecimento. De forma geral, a pesquisa aponta que 35,7% tiveram conhecimento ou ouviram falar e 64,3% desconhecem a informação.

Para a cientista social e diretora do IPO, Elis Radmann, os números são reflexos do distanciamento da sociedade em relação à política e da desconfiança nas instituições. "Se você tem um distanciamento e desconfia das instituições, aumenta a falta de conhecimento sobre uma Casa Legislativa, como o Senado, e também sobre o processo eleitoral de seus senadores", aponta. Ela também destaca que as críticas à democracia - que vem ganhando força nos últimos anos - também se devem aos dois motivos já citados. "Quanto maior o desconhecimento e a desconfiança maior a crítica à democracia. Se a gente não sabe para que serve, a gente não valoriza", reitera.

Diante da desigualdade social e educacional no país, o perfil socioeconômico mostrado pelo levantamento não surpreende. Os que têm Ensino Superior e ganham acima de seis salários mínimos foram os que dominaram a pergunta. Dos que foram ouvidos e responderam ter conhecimento do fato, 45,1% possuem uma graduação. Já 69,3% cursaram apenas o Ensino Fundamental e afirmaram não ter conhecimento sobre a particularidade do pleito. "Os direitos constitucionais precisam ser debatidos na educação básica e na sociedade. Como não conhecemos eles não exercemos a cidadania. São temas que não podem ser só debatidos nas graduações", explica, falando sobre a porcentagem do nível escolar.

Através dos números, a pesquisa concluiu que não há um envolvimento da maioria dos eleitores no que se trata dos mandatos de senadores. Não sabem o que fazem, não lembram em quem votaram na eleição passada e, também, não acompanham seus mandatos - demonstra o relatório do IPO. A função do senador também foi constatada como uma incógnita em todas as cidades e em todos os perfis de eleitores. Eles não têm por hábito pesquisar as atividades do Senado e dos senadores; aponta o documento.

Dos que responderam o que faz um senador, a maioria não tem certeza sobre o que está afirmando. "Os eleitores sabem que envolve leis, mas não sabem o que diferencia um senador de um deputado". Outro ponto constatado é que há uma mesma cultura político comportamental entre todos os participantes, dentre todas as cidades pesquisadas: não acompanham e não se interessam pela política.

Para Elis, o estudo soa como um alerta. "Que a gente preste atenção no nosso papel enquanto cidadãos. Que a gente se aproxime das Casas Legislativas. O perfil do Senado nas redes sociais é muito educativo. Fica a dica para as pessoas seguirem porque ele traz resumos muito didáticos sobre os nossos direitos e deveres", sugere.

Acesse e conheça detalhes 
- Site: www.senado.leg.br
- Instagram: @senadofederal

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