Reflexos

Progressistas deixam o partido em Pelotas

Decisão do grupo com 39 integrantes é reflexo do racha ocorrido no PP no pleito municipal

05 de Fevereiro de 2021 - 20h42 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Abel Dourado deixou o PP (Foto: Gustavo Vara - Ascom)

Abel Dourado deixou o PP (Foto: Gustavo Vara - Ascom)

Pouco mais de dois meses depois de encerrada a disputa eleitoral de 2020, os efeitos ainda são sentidos dentro do Progressistas em Pelotas. Envolvido em uma briga interna que culminou com a divisão da sigla e intervenção estadual no diretório, o PP enfrenta agora uma debandada em suas fileiras, com a saída de 39 membros que integravam ala que defendia o alinhamento da legenda ao governo de Paula Mascarenhas (PSDB).

Em documento encaminhado à direção estadual na noite de quinta-feira (4), o grupo atribuiu o pedido coletivo de desfiliação à insatisfação com a decisão que afastou da presidência em Pelotas o então vereador Roger Ney, o impediu de concorrer como vice de Paula e indicou o ex-prefeito Adolfo Fetter Jr. para concorrer ao Executivo ao lado de Antônio Carlos Brod (Cidadania). A chapa ficou em terceiro lugar, não disputando o segundo turno.

Nas seis páginas, o manifesto dos ex-progressistas dispara críticas à Comissão Executiva do PP no Estado e acusa o presidente Celso Bernardi de não respeitar a autonomia local ao anular o resultado da convenção que indicou Ney para a chapa de Paula à reeleição. “Quem devia ser o guardião da democracia partidária, acolhendo as novas lideranças e fortalecendo o municipalismo - outra bandeira progressista - é justamente o órgão que opta pelo centralismo, transferindo todo poder ao órgão estadual, na mão de poucos líderes que atuam para proteger seus próprios interesses”, diz a carta.

Entre os signatários da desfiliação coletiva estão os ex-secretários de Governo e de Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana, Abel Dourado e Jacques Reydams, e a atual diretora-presidente do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos Municipais (Prevpel), Berenice Martinez Nunes.

“Nossa saída coletiva tem fundamento nas continuadas ações truculentas que nos castigaram, vindas de grupo autoritário inconformado com sucessivas derrotas infligidas por nossa maioria democrática e renovadora, composta em sua maioria por mulheres e homens bem mais jovens e conectados com as aspirações da sociedade pelotense”, argumenta Dourado.

Contraponto

A reportagem buscou contato com o presidente estadual do PP, Celso Bernardi, mas não houve retorno. Em nota, a presidente do diretório em Pelotas, Beth Marques Dias, disse que o partido respeitou resoluções e que isso resultou na candidatura ao Executivo e renovação no Legislativo. O texto também repudia o conteúdo da carta de desfiliação do grupo (confira a íntegra da nota aqui).

Secretário-geral do diretório pelotense, Paulo Grigoletti Gastal diz que a saída já era esperada. "Não foi surpresa para nós esse movimento, de fato já estavam desfiliados, não participavam do partido, e inclusive apoiaram a outra candidatura nas eleicoes de 2020".

Entenda

Durante o período pré-eleitoral, o PP em Pelotas realizou convenção partidária para que os membros da Comissão Executiva decidissem entre a coligação com o PSDB, indicando Roger Ney como vice de Paula Mascarenhas, ou candidatura própria de Fetter Jr. à prefeitura. Por 27 votos a 21, venceu a opção de coligação com os tucanos. A decisão, no entanto, foi contestada por apoiadores do ex-prefeito e o caso foi julgado pela Executiva estadual progressista, que anulou a chapa de Roger Ney na convenção e declarou Fetter Jr. como candidato. Então presidente da sigla em Pelotas, Ney também foi afastado do cargo e, logo após a eleição, deixou o PP. Atualmente o ex-vereador é o diretor-presidente da Empresa do Terminal Rodoviário de Pelotas (Eterpel).

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