CPI

Osmar Terra nega existência de gabinete paralelo

No Senado, deputado defendeu medidas e medicações que, sem comprovação científica, contribuíram, segundo os senadores, para a piora da pandemia

22 de Junho de 2021 - 14h57 Corrigir A + A -

Agência Brasil

Terra esteve no Senado nesta terça-feira (Foto: Edílson Rodrigues - Agência Senado)

Terra esteve no Senado nesta terça-feira (Foto: Edílson Rodrigues - Agência Senado)

O deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) negou nesta terça-feira (22) à Comissão Parlamentar Inquérito (CPI) da Pandemia, no Senado, a existência de um gabinete paralelo para aconselhamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre questões relacionadas à pandemia. O parlamentar disse ainda que Bolsonaro "de vez em quando" pergunta alguma coisa. Durante o depoimento, Terra também disse que muitas de suas manifestações foram muito otimistas sobre o impacto que a Covid-19 teria no país. Ele apontou que tais manifestações eram “opiniões pessoais” que tinham como base outras crises sanitárias já ocorridas.

As suspeitas de que Osmar Terra comporia o gabinete paralelo foram reforçadas após os depoimentos do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandeta e da médica Nise Yamaguchi, e após a divulgação de um vídeo no qual participava - em setembro de 2020 - de uma reunião no Palácio do Planalto, onde foram manifestadas opiniões contrárias à vacina e a favor de medicamentos sem comprovação científica contra a Covid-19.

"A relação que eu tenho com o presidente é uma relação de amizade que ele tem com muitos outros deputados. Fui ministro, gosto do presidente, tenho simpatia por ele. Quando, de vez em quando, o presidente me pergunta alguma coisa, e eu acho que tenho que falar, eu falo", definiu Osmar Terra, que também é médico.

Em diversas oportunidades, o parlamentar defendeu medidas e medicações que, sem comprovação científica, teriam contribuído, segundo os senadores, para a piora da situação pandêmica no país. Em alguns momentos, ele afirmou que a pandemia se dissiparia rapidamente e com um pequeno número de mortos.

Em outras situações, tanto via redes sociais como em entrevistas, Terra defendeu a chamada "imunidade de rebanho" e fez críticas ao distanciamento social. Vários desses vídeos foram apresentados pelos senadores durante a audiência desta terça.

O deputado reiterou aos senadores algumas posições manifestadas anteriormente. Entre elas, as críticas ao isolamento social enquanto medida eficiente de combate à pandemia. “Se isolamento funcionasse não morria ninguém em asilo. E a maior parte das mortes foi em asilo”, disse o deputado. “As pessoas estão se contaminando em casa”, acrescentou.

“Aglomeração em ambiente fechado: esse sim é o grande contágio - e ele acontece em todas as casas. As pessoas andam sem máscara em casa. Não que eu defenda que se use máscara em casa, mas em situação especial tem de usar”, complementou.

“Conclusões pessoais”

O deputado acrescentou que, exatamente por ser parlamentar, tem a obrigação de manifestar opiniões sobre os temas relevantes para o país e que essa foi a motivação para fazer, na época, as manifestações criticadas pelos senadores.

“Normalmente as CPIs são criadas para investigar corrupção. Nesse caso, é devido à minha opinião”, disse Terra, ao reiterar que a pandemia está “sendo comandada pelo medo e não pela ciência”, e que suas afirmações foram feitas em uma época em que pouco se sabia sobre a doença. “Foram conclusões pessoais. Os dados que tínhamos na época me permitiram ser mais otimista”, argumentou.

Ele negou ser contra a vacina. Segundo o deputado, algumas afirmações foram feitas quando ainda não havia imunizantes disponíveis ou conhecimento sobre se uma eventual vacina teria eficiência no combate a variações do novo coronavírus.

Na avaliação de Osmar Terra, como as pessoas contaminadas tendem a criar anticorpos ao vírus, esse processo acaba funcionando de forma similar ao de uma vacina. Seguindo essa linha de raciocínio, complementou o deputado, “a imunidade de rebanho é o resultado final de qualquer epidemia”.


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