Retrospectiva

Opções e uma hegemonia na política

Eleição em meio à pandemia, com recorde de candidatos em Pelotas, conduziu o PSDB ao poder por mais quatro anos no Executivo

31 de Dezembro de 2020 - 19h43 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Gustavo Vara 90Paula, com o governador Eduardo Leite e o vice Idemar (Foto: Gustavo Vara - Ascom)

No ano em que a pandemia esvaziou ruas, a política pelotense lotou urnas. De candidaturas. Ao votar no dia 15 de novembro, em processo adiado pela pandemia, os eleitores tiveram à disposição menu com 11 concorrentes à prefeitura e 430 à Câmara de Vereadores. Números jamais alcançados desde a redemocratização do país, nos anos 1980.

No Legislativo, as muitas alternativas representaram mudanças. Dos 21 parlamentares que assumem mandatos em 1º de janeiro, 14 não foram titulares nos últimos quatro anos. Figuras tradicionais como Ademar Ornel (DEM), Salvador Ribeiro (Cidadania) e Ivan Duarte (PT) deixam de compor as bancadas. Os dois primeiros não-reeleitos, enquanto o petista sai após concorrer ao Executivo. No lugar destes - e de outros que estão de saída - entram novatos em eleições como Jair Bonow (PP), Michel Promove (PP), Marisa Schwarzer (PSB), Cristiano Silva (PSDB) e Paulo Sítio Floresta (PSDB). Mas também retornam à cena local personagens experientes. Casos da ex-vereadora e ex-deputada Miriam Marroni (PT) e do ex-vereador e ex-prefeito Anselmo Rodrigues (PDT).

Entre os reeleitos, destaque para duas mulheres: Fernanda Miranda (PSOL), recordista geral com 4.899 votos e Cristina Oliveira (PDT), segunda mais votada entre os que continuam com mandato.

Na prefeitura, Paula confirma favoritismo

Em 2020, assim como já havia ocorrido em 2016, nem o mais otimista dos candidatos de oposição cogitou resultado que não fosse a eleição de Paula Mascarenhas (PSDB). Resultado que só não se repetiu no primeiro turno por 409 votos. No segundo turno contra Ivan Duarte, no entanto, a prefeita venceu com 68,7% da preferência, o equivalente a 105.206 votos. Não houve uma seção eleitoral na cidade em que a tucana não tenha superado o petista, reafirmando hegemonia do PSDB inaugurada ainda com Eduardo Leite.

Sob o olhar da oposição, entretanto, nem tudo foi negativo na derrota. Após amargar um quarto lugar há quatro anos, ao chegar no segundo turno em 2020 o PT reverteu expectativa de possível competição entre Paula e o ex-prefeito Fetter Jr. (PP), que forçou rompimento da sigla com o governo e se lançou candidato.

A briga progressista

Se a competição pelo governo foi liderada de ponta a ponta por Paula e o PSDB, a maior rivalidade da política pelotense em 2020 ficou por conta das brigas internas do PP. Aliado da prefeita nos últimos anos, o partido rachou diante da desavença entre grupos liderados por Roger Ney e Fetter Jr. Anunciado como vice pela tucana, o vereador e então presidente do diretório local viu sua intenção barrada pelo ex-prefeito, que recorreu à direção estadual do partido, derrubou o resultado da convenção municipal e concorreu ao Executivo. Depois de quase um semestre de litígio, o PP chega a 2021 tendo que curar feridas por não chegar ao segundo turno, destituir Roger Ney (hoje desfiliado) da presidência e agravar o conflito entre correligionários.

Zona Sul: esquerda encolhe, direita avança

A política da Zona Sul mostrou que partidos alinhados à esquerda perderam espaço para conservadores. Nas prefeituras, o PT sumiu ao perder o comando em Rio Grande, Capão do Leão, Santana da Boa Vista e Candiota. Já o PDT perdeu uma das quatro prefeituras (Piratini) e coligou-se ao PSDB em Pinheiro Machado, onde o resultado não foi homologado pela Justiça Eleitoral. No sentido oposto, partidos como MDB e PP saem vitoriosos de 2020, com quatro novas administrações cada. No total, os emedebistas passam a governar oito cidades e os progressistas seis. Nas Câmaras de Vereadores o fenômeno foi semelhante, com legendas de centro-direita obtendo 158 das 235 cadeiras (67,2% das vagas).

Eleição sem eleito

Em Pinheiro Machado, 2020 não foi suficiente para definir prefeito. Carlos Betiollo (PSDB), vencedor nas urnas, teve candidatura indeferida por conta da Lei da Ficha Limpa. Com isso, a cidade começa o ano administrada pelo presidente da Câmara e deve ter novas eleições marcadas pelo Tribunal Regional Eleitoral.

Cidades sem oposição

Duas situações curiosas se confirmaram na região no ano que termina. No Chuí, Marco Antônio Barbosa (DEM) concorreu sozinho e, claro, foi reeleito. Ele não terá oposição na Câmara a partir de 2021, pois todos os vereadores eleitos são aliados. Situação parecida com Pedras Altas, onde Bebeto Perdomo (PP) foi reconduzido com José Volnei Oliveira (PT) como vice. As legendas de ambos serão também as únicas no Legislativo.

Estado: sem reforma, mas com salários em dia

Não foi no fim do primeiro ano, mas sim no segundo. Em novembro de 2020 finalmente os servidores públicos do Estado voltaram a receber salários em dia, algo que não ocorria desde 2015. A conquista serviu também para Eduardo Leite (PSDB) convencer a Assembleia Legislativa a manter para 2021 as alíquotas de ICMS, evitando queda de arrecadação. A aprovação só foi possível após acordo do governo com o PT, já que grande parte da base aliada rejeitou ao longo de todo o ano a realização de uma reforma tributária que prorrogasse o imposto elevado.

País: interferências e quedas em ministérios

A pandemia e investigações sobre a família Bolsonaro provocaram turbulências em Brasília. Tantas foram que ministros importantes perderam seus cargos. Na Saúde, foram duas demissões em um mês: por não concordarem com interferências do presidente na gestão da pasta em meio à crise do coronavírus, os médicos Henrique Mandetta e Nelson Teich caíram. Deram lugar ao general do Exército Eduardo Pazuello, alinhado a Bolsonaro. Também reclamando de interferência indevida, Sérgio Moro passou de ministro avalista do governo a inimigo do presidente. O ex-juiz entregou o cargo acusando Bolsonaro de forçar o controle sobre a Polícia Federal para blindar a família de investigações. O ano também marcou a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), envolvido em suposto esquema de rachadinhas no gabinete do filho do presidente quanto deputado estadual do RJ. Apesar disso, Jair Bolsonaro encerrou 2020 com índice de 35% de avaliação ótima ou boa em pesquisa Ibope. Desempenho sustentado pelo auxílio emergencial liberado pelo governo, que reduziu impactos da pandemia nas famílias e na economia.

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