Eleições 2020

Na Zona Sul, mulheres perdem espaço nas prefeituras

Em Pelotas, grupo de pesquisa Representação, Ativismos e Gênero da UFPel mantém estudo com candidatas a vereadoras

19 de Novembro de 2020 - 10h56 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Mobilização ganhou as redes sociais, com movimento desencadeado desde o início do ano (Foto: Divulgação - DP)

Mobilização ganhou as redes sociais, com movimento desencadeado desde o início do ano (Foto: Divulgação - DP)

Doutora em Ciência Política, Rosângela Schulz fala sobre os obstáculos culturais, socioeconômicos e institucionais que ainda persistem e dificultam que a mulher amplie espaços nas política (Foto: Divulgação - DP)

Doutora em Ciência Política, Rosângela Schulz fala sobre os obstáculos culturais, socioeconômicos e institucionais que ainda persistem e dificultam que a mulher amplie espaços nas política (Foto: Divulgação - DP)

Diretora do Gamp, Diná Bandeira adianta que o movimento por mais candidaturas feministas não irá parar (Foto: Divulgação - DP)

Diretora do Gamp, Diná Bandeira adianta que o movimento por mais candidaturas feministas não irá parar (Foto: Divulgação - DP)

O cenário final da representação política das mulheres, em todo o país, só será conhecido no dia 29 de novembro. Conforme o resultado das urnas, outras 18 cidades ainda poderão ser governadas por mulheres a partir de 2021, de um total de 57 municípios onde haverá disputa de segundo turno. A cada dez prefeitos eleitos no último domingo, apenas um foi do sexo feminino. São dados que chamam à reflexão. Na Zona Sul, independentemente do resultado da eleição de Pelotas, as mulheres terão perdido espaço, que já era pequeno.

Apenas a prefeita de São José do Norte, Fabiany Zogbi Röig (PSL), foi reeleita. Selmira Fehrenbach (MDB), de Turuçu, que completava o trio de chefes do Executivo da região, perdeu para o antigo adversário Ivan Eduardo Scherdien (PP). Do total de 81 chapas que concorriam nos 22 municípios, 12 - o equivalente a 14,8% - eram lideradas por candidatas. Somente duas saíram vitoriosas: Fabiany e Paula Mascarenhas (PSDB), que carimbou o passaporte para permanecer no páreo eleitoral, na tentativa de seguir no comando da administração de Pelotas.

No cargo de vice-prefeita houve avanços. Atualmente, só na cidade de Capão do Leão o espaço é ocupado por uma mulher: Gilciane Baldassari (PT). A partir de 2021, pelo menos quatro cidades terão a força, o olhar e a bandeira das mulheres como aliadas na gestão das cidades: Chuí, Morro Redondo, Santana da Boa Vista e Turuçu. Em Pelotas, a vice na chapa encabeçada por Ivan Duarte (PT) é a psicóloga Iyá Sandrali (PT).

Lugar de mulher é na política, sim

Um estudo desenvolvido pelo grupo Representação, Ativismos e Gênero (Reage) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) segue em busca da palavra de candidatas a vereadoras, de diferentes campos políticos, para identificar as barreiras encontradas ao longo do processo eleitoral. A intenção é de que, a partir destes relatos, possam ser amadurecidas ações de formação permanente de mulheres, para que se sintam preparadas para enfrentar o desafio de lançar seus nomes ao Executivo e Legislativo.

"Ainda encontramos obstáculos culturais, socioeconômicos e institucionais. A política ainda é considerada um espaço masculino", destaca a doutora em Ciência Política, Rosângela Schulz. E lembra de sistemas como o implantado na Argentina, onde existe reserva de cadeiras para as mulheres; não só o percentual mínimo de 30% nas candidaturas, como o previsto no Brasil, mas que não tem surtido a efetividade nos resultados, já que parte das candidatas ainda cumpre papel de laranja, apenas para viabilizar o registro das nominatas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ao projetar as etapas que estão por vir, neste processo de amadurecimento e militância, a professora da UFPel enfatiza: o trabalho precisará ser constante, principalmente, com objetivo de derrubar estigmas que rondam o feminismo e atrapalham a luta que deveria ser de toda a sociedade. "Precisamos ter o entendimento que o movimento feminista não é contra alguém. Não é anti-homem. O que buscamos é a inclusão das mulheres como iguais. É uma luta por igualdade", reitera a pesquisadora.

Participe da pesquisa!

O estudo Mulheres candidatas ao cargo de vereadora em tempos de pandemia - Eleições Municipais 2020 - Pelotas (RS) ainda pode ser acessado pelas concorrentes ao Legislativo.

Para fazer parte é necessário responder um questionário on-line, enviado por e-mail.

As participantes podem solicitar o link da pesquisa através do e-mail reage.ppgcpol@gmail.com ou pelo Instagram do grupo, no perfil @reage_ppgcpol.

Mobilização permanecerá em pé

O movimento Mais Mulheres Feministas no poder, que se espalhou pelo país todo e ganhou um núcleo também em Pelotas, não será interrompido. Quem garante é a diretora do Grupo Autônomo de Mulheres de Pelotas (Gamp), Diná Lessa Bandeira. Ao conversar com o Diário Popular e analisar o resultado das urnas, diante de uma campanha realizada em meio à pandemia, ela comemorou o fato de o município ter mantido o número de quatro cadeiras na Câmara. Claro, que o objetivo era ampliar o espaço das mulheres.

A reeleição da vereadora Fernanda Miranda (PSOL), como a mais votada entre 425 candidatos, foi enfatizada por Diná. "Vamos fazer mais barulho. Este movimento que cresceu no Brasil todo não tem como parar mais", adianta, em tom de aviso. Os próximos passos serão finalizar um dossiê, que inclui o desempenho de todas as candidatas de Pelotas, e manter vivo o debate que possa se transformar em Fórum em Defesa de Políticas Públicas para as Mulheres.

Confira os estados com menor índice de prefeitas eleitas no 1° turno

- Espírito Santo: 1,4%
- Mato Grosso do Sul: 5,3%
- Minas Gerais: 7%
- Amapá: 7,1%
- Rio Grande do Sul: 7,6%

 


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