Apuração

Investigação sobre racismo na Câmara será prorrogada

Trabalhos, abertos oficialmente em 25 de maio, serão estendidos por mais 30 dias para garantir a elaboração do relatório

22 de Junho de 2021 - 18h11 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

A partir da próxima semana, atividades da Comissão irão ocorrer às quartas-feiras (Foto: Gabriel Xavier - Câmara de Pelotas)

A partir da próxima semana, atividades da Comissão irão ocorrer às quartas-feiras (Foto: Gabriel Xavier - Câmara de Pelotas)

Vereador e líder comunitário no Navegantes, Belezinha falou sobre os episódios: \

Vereador e líder comunitário no Navegantes, Belezinha falou sobre os episódios: \"Não houve ataque diretamente a mim, nas minhas redes, mas se é uma questão racial, me atinge também\" (Foto: Gabriel Xavier - Câmara de Pelotas)

Barriga, com forte atuação junto às comunidades de Pestano e Getúlio Vargas, também destacou o racismo estrutural de que historicamente vítimas (Foto: Gabriel Xavier - Câmara de Pelotas)

Barriga, com forte atuação junto às comunidades de Pestano e Getúlio Vargas, também destacou o racismo estrutural de que historicamente vítimas (Foto: Gabriel Xavier - Câmara de Pelotas)

As atividades da Comissão de Direitos e Prerrogativas dos Vereadores, para apurar as denúncias de racismo, serão prorrogadas por mais 30 dias. A decisão foi tomada na manhã desta terça-feira (22), antes de os parlamentares Reinaldo Elias, Belezinha (PSD), e Rafael Dutra, Barriga (PTB), serem ouvidos. A partir da próxima semana, as reuniões ocorrerão às quartas-feiras. E já está definido: em 30 de junho, uma das prioridades será responder os questionamentos do Ministério Público (MP).

O promotor Márcio Schlee Gomes estabeleceu prazo para o presidente do Legislativo, Cristiano Silva (PSDB), o presidente da Comissão, Márcio Santos (PSDB), e o relator Marcos Ferreira, Marcola (PTB), manifestarem-se sobre suposta ilegalidade e abuso de poder na condução dos trabalhos. Ao conversar com o Diário Popular, no começo da tarde, Marcola voltou a sustentar que não houve excessos. "Não existe nenhum abuso de poder porque nós estamos tratando tudo dentro da legalidade".

Embora não tenha citado o nome da servidora do Sanep, Rosemeri dos Santos - que por três vezes não compareceu à Casa para esclarecimentos de comentário feito no Facebook da Câmara -, o relator reforçou: "As (pessoas) que se negaram de ir, têm que responder em outro fórum. Nós não estamos ali para julgar ninguém".

Os integrantes da Comissão também cobram que a prefeitura e as autarquias possam confirmar se os autores dos ataques racistas contra os vereadores são ou não trabalhadores do município.

A palavra de Belezinha e Barriga

O racismo estrutural, que está entranhado na sociedade brasileira, voltou à pauta nesta terça-feira. Os parlamentares fizeram falas sucintas, responderam questionamentos e relataram discriminações que ocorrem dentro e fora da Câmara. Há anos.

Em 35 minutos, Belezinha afirmou que naquela quinta-feira, 25 de fevereiro, não sofreu xingamentos diretos em suas redes sociais. Ao tomar conhecimento dos relatos dos colegas César Brizolara, Cesinha (PSB), e Michel Escalante, Michel Promove (PP), foi taxativo: "Se é uma questão racial, também é dirigido a mim", repetiu. E, como líder comunitário do Navegantes, sente na pele o racismo.

No Legislativo, em várias outras oportunidades, acompanhou tratamentos distintos para vereadores que tiveram a mesma posição na hora do voto. Brancos não foram cobrados. Negros foram insultados. Foi o que ocorreu em 25 de fevereiro, quando aprovado projeto encaminhado pela prefeitura que acabava com direitos do funcionalismo. "Passamos um julgamento por ser da cor preta", afirmou. E deixou o recado: legitimamente eleito, gostaria que as críticas se restringissem ao campo político; não pessoal.

Barriga também lamentou os episódios. Ao se pronunciar, contou que as agressões extrapolaram o meio virtual. Nas redes, as frases disparadas não deixaram dúvida do racismo: Capitão do mato, tem que voltar pra senzala. No supermercado, no dia seguinte, a violência continuou, ao ser chamado de 'nêgo, macaco'. "Muito triste".

Relembre

Os trabalhos da Comissão de Direitos e Prerrogativas dos Vereadores tiveram início em 25 de maio, com os depoimentos da secretária de Educação, Adriane Silveira, e da diretora da Escola Municipal de Educação Infantil Mario Quintana, Letícia Brunes, já que o perfil da instituição, no Facebook, apareceu como autor de uma das postagens consideradas de cunho racista.

A funcionária do Sanep, Rosemeri dos Santos, não compareceu ao Legislativo nem quando foi convidada nem quando convocada para prestar esclarecimentos. Os argumentos são de que a Câmara tem cometido abusos durante a apuração e não teria explicado, formalmente, a razão para o chamamento.

Já os parlamentares, vítimas de racismo, Cesinha e Michel Promove foram ouvidos semana passada.


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