Eleição 2020

Hora de eles entrarem na sua casa

Candidatos à prefeitura e Câmara de Vereadores de Pelotas passam a se expor hoje aos eleitores também nas propagandas de rádio e TV

09 de Outubro de 2020 - 10h19 Corrigir A + A -

 

Por Vinicius Peraça
e Michele Ferreira
vinicius.peraca@diariopopular.com.br
michele@diariopopular.com.br

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Haverá quem goste e se programe para ouvir ou assistir. E haverá também quem faça cara feia e desligue o rádio e a TV imediatamente. Fato é que a partir desta sexta (9), com a propaganda eleitoral gratuita sendo veiculada, o clima da disputa política deve começar a ficar mais próximo dos eleitores pelotenses.

Dos 11 candidatos à prefeitura de Pelotas, dez marcarão presença nos programas. Somente Eduardo Ligabue não terá espaço para se apresentar. Por conta da legislação que estabelece cláusula de desempenho, o PCO não tem acesso ao fundo partidário e tempo da propaganda gratuita, já que na eleição de 2018 não elegeu representantes na Câmara dos Deputados.

Entre os demais, foi feita distribuição do tempo de dez minutos existente em cada um dos dois blocos que vão ao ar em dias alternados com a propaganda dos concorrentes à Câmara de Vereadores. A fatia de cada partido (ou coligação, no caso das existentes para o Executivo) é proporcional ao peso das legendas na composição do Congresso Nacional.

Apresentação da "marca"

Com a popularização das redes sociais como alternativa para defender ideias, atacar adversários, estimular críticas e promover engajamento, a propaganda eleitoral gratuita perdeu peso como fator de definição do voto. No entanto, continua sendo importante para que os candidatos apresentem suas marcas e passem credibilidade. É o que explica a cientista política e diretora do Instituto Pesquisas de Opinião (IPO), Elis Radmann. 

Conforme entrevistas feitas com eleitores pelotenses no final de agosto, somente 5,7% disseram decidir os votos com base no horário eleitoral gratuito. Foram apontados como mais influentes as conversas com amigos e percepção nas ruas (13,3%) e as informações obtidas por diversos meios (jornais, TV, amigos e redes sociais).

"Tecnicamente falando, o eleitor não é mais passivo ao horário eleitoral na televisão. Ele é ativo, é multicanal", interpreta Elis. Apesar disso, diz, o interesse pelas intervenções na TV aumenta conforme a campanha esquenta. "Em média, a estimativa é de que metade da população assista aos programas eleitorais na primeira semana. E esse índice aumenta, conforme se aproxima do pleito. Geralmente começamos com cerca de 50% e vai a 70% na semana da eleição."

Assista, compare e cobre

Na TV
- Blocos de segunda a sábado das 13h às 13h10min e das 20h30min às 20h40min.

No rádio
- Blocos de segunda a sábado das 7h às 7h10min e das 12h às 20h10min.

Haverá ainda inserções de 30 segundos ao longo da programação de rádio e TV todos os dias, das 5h à meia-noite, sendo 42 minutos diários para candidatos a prefeito e 28 minutos para os candidatos a vereador.

 

Os planos para a largada

Paula Mascarenhas (PSDB)

A coligação Vamos em frente, Pelotas irá dividir o foco entre mostrar as realizações concretizadas ao longo do mandato, sob o comando da prefeita Paula Mascarenhas, e apresentar pontos do plano de governo. Tudo para ganhar um voto de confiança e ter a oportunidade de permanecer à frente da prefeitura. "Queremos que o atual projeto siga melhorando ainda mais a vida dos pelotenses". 

A TV, assim como em eleições passadas, transforma-se em veículo muito importante para levar informações e expor os planos para o futuro da cidade, para que o eleitor faça a sua escolha. Neste ano, com a Covid-19, cresce o desafio e os programas de rádio e de TV, assim como as redes sociais, tornam-se plataformas ainda mais importantes para o processo democrático - enfatizam.

 

Fetter Jr. (PP)

Embora tenha o segundo maior tempo, o candidato considera o espaço pequeno na comparação com o da coligação do atual governo. Porém, diz que usará a propaganda desde os primeiros dias para apresentar propostas. Segundo Fetter, a TV e o rádio serão complementares às ações em redes sociais e presenciais.

"Outros candidatos têm menor tempo ainda, o que configura falta de equidade, determinada pelas regras eleitorais. Mas a realidade é esta e estamos trabalhando para levar nosso plano de governo ao eleitor de maneira clara, concisa e objetiva, apresentando os problemas e demandas de Pelotas e como pretendemos resolvê-los. Às vezes mais é menos e vice-versa. Também na política."

 

Ivan Duarte (PT)

Os primeiros programas serão de apresentação do posicionamento da candidatura e da biografia dos candidatos Ivan Duarte e Iyá Sandrali. Só a partir da segunda semana o alvo deverá ser direcionado às propostas. A linguagem deverá ser direta, simples e em formato de conversa com o telespectador, já que a TV ganhará grande peso devido ao contexto de pandemia e distanciamento. 

O fato de a prefeita Paula Mascarenhas ter mais do que o triplo do tempo não é encarado como vantagem pelos petistas. "Há a desvantagem do desgaste de integrar um governo há 16 anos, se considerarmos o ciclo da direita em Pelotas", cutucam, ao falar em abandono em bairros, vilas e serviços públicos essenciais.

 

Tony Sechi (PSB)

Nos planos do candidato para os primeiros programas está aproveitar o tempo inferior a um minuto para marcar o jingle e as principais propostas de campanha. A intenção também é fazer do espaço em rádio e televisão um gancho para ampliar a interatividade nas redes sociais. "E, claro, dentro do possível ir ao encontro do eleitor, com atenção a todos os protocolos sanitários estabelecidos", diz. 

Segundo ele, diante da desigualdade de espaços no horário eleitoral, o ideal seria a realização de debates com a participação de todos os concorrentes. "Vamos usar criatividade e muita verdade em nossas manifestações, que é o mais esperado pela população, cansada de políticas tradicionais com falsas promessas."

 

João Carlos Cabedal (MDB)

O eleitor encontrará um conteúdo simples e objetivo, tanto na apresentação das candidaturas para prefeito e vice, como para vereador. Os programas deverão apresentar soluções para velhos problemas nas diferentes áreas, como saúde e desenvolvimento econômico. E, para superar a impossibilidade do contato com o eleitor, o grupo irá recorrer à criatividade.

"A TV e o rádio voltam a ter muito peso, considerando que os dados que temos não nos convenceram de que a internet será suficiente para definir a eleição". Apesar do tempo reduzido, os emedebistas acreditam que será o suficiente para defender a posição de que um grupo político não pode ser perpetuado na administração de Pelotas, seja ele qual for. 

 

Marco Marchand (DEM)

Com pouco tempo de TV e rádio, o candidato aposta nos programas para atrair a atenção dos eleitores às suas redes sociais, onde pretende ampliar propostas. Conforme Marchand, com o debate público e o contato pessoal prejudicado pela pandemia, a propaganda eleitoral tende a ampliar o abismo de alcance entre chapas formadas por diversos partidos e candidaturas avulsas.

"Dentro do espaço de TV e rádio só dois candidatos estarão beneficiados de suas vantagens articuladas. Em pleno 2020 a lei eleitoral deixa uma porta aberta para a quebra de isonomia e equidade,  a maioria dos candidatos conseguirá uma atenção tão pequena quanto seus míseros segundos de TV e rádio", lamenta.

 

Dan Barbier (PDT)

A abordagem de temas que passam pelas angústias da comunidade, como pandemia, desemprego e encolhimento da renda familiar será uma das ferramentas para compensar o tempo reduzido. "Nossa estratégia é mostrar que Pelotas não está condenada a escolher entre o velho e o ainda mais velho. Queremos mostrar que existem alternativas consequentes para a construção de uma nova Pelotas", enfatiza . 

Com pouco mais de 30 segundos e recursos também escassos, o PDT garante que irá apresentar o programa de governo que promete recolocar a comunidade no centro das preocupações do Poder Público. "É nisso que iremos apostar: em apresentar na TV, mas especialmente nas redes sociais, propostas e um projeto de cidade factível e executável".

 

Marcelo Oxley (Podemos)

A geração de empregos será um dos principais pilares ao longo dos programas que, apesar dos limitados 24 segundos, serão utilizados para apresentação das propostas; como já vem ocorrendo através das redes sociais.

Assim como os demais candidatos, Marcelo Oxley reforçou o coro sobre a importância da realização de debate neste primeiro turno, para que a população tenha a chance de acompanhar o enfrentamento de ideias e conhecer melhor os planos de governo. 

 

Júlio Domingues (PSOL)

Também com tempo escasso dentro do bloco de propaganda, o candidato diz que usará os primeiros dias do tempo de rádio e TV para uma apresentação básica aos eleitores com nome, profissão e região da cidade em que mora. Somente nas semanas seguintes devem ser apontadas algumas das plataformas do plano de governo como projetos de emprego, infraestrutura nas vilas e bairros e gestão em saúde e educação.

"O processo eleitoral é cheio de desigualdades e o tempo de TV é uma expressão disso.  Para nós, o diferencial da nossa candidatura está na qualidade do nosso programa de governo e no que representam os nomes de duas pessoas negras disputando o Poder Executivo."

 

Marcus Napoleão (PRTB)

Apesar do tempo escasso em cada um dos blocos da propaganda no rádio e na TV, o candidato diz que pretende usá-lo para mostrar propostas em áreas que considera prioritárias, como saúde, trabalho, educação, saneamento e mobilidade urbana. Napoleão também acredita que será preciso usar o espaço para atrair a atenção para as redes sociais.

"A diferença de espaço é injusta. Soma-se a isso o fato de sermos contra o financiamento público, não temos fundão (fundo eleitoral). As diferenças aumentam. Todavia, os eleitores estão atentos às novas lideranças que surgem e saberão valorar aquelas que merecem o seu voto", diz.

 

* O candidato Eduardo Ligabue (PCO) não respondeu ao contato da reportagem

 


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