Pandemia

Eduardo Leite confirma retorno da bandeira vermelha

Governador anunciou também que o atual modelo de Distanciamento Controlado será substituído no dia 10 de maio

27 de Abril de 2021 - 15h30 Corrigir A + A -

Por: Henrique Risse
henrique.risse@diariopopular.com.br 

Eduardo Leite anunciou as alterações na tarde desta terça-feira. (Maurício Tonetto - Palácio Piratini)

Eduardo Leite anunciou as alterações na tarde desta terça-feira. (Maurício Tonetto - Palácio Piratini)

O Rio Grande do Sul vai voltar à bandeira vermelha. Em vídeo publicado nas redes sociais do governo do Estado na tarde desta terça-feira (27), o governador Eduardo Leite (PSDB) anunciou a alteração da salvaguarda da bandeira preta, que impedia as regiões de adotar protocolos com menos restrições. Com isso, ele abre o caminho para o retorno das aulas presenciais no RS.

"Nós queremos as nossas crianças voltando às aulas presenciais com cuidados, com protocolos. Mas as aulas precisam ser presenciais, especialmente para a educação infantil e a alfabetização. É uma luta que nós travamos desde o fim do ano passado e que agora, diante da interferência do Judiciário, acaba sendo prejudicada. E essa interferência, embora legítima e soberana, é absolutamente equivocada e incoerente", disse Leite.

Para escapar das decisões judiciais como do Tribunal de Justiça (TJ-RS), que manteve na segunda-feira a suspensão das aulas presenciais durante a vigência da bandeira preta, o governo precisou dar uma volta no próprio modelo de Distanciamento Controlado para liberar o ensino presencial. Com as mudanças do novo decreto, previsto para ser publicado ainda ontem, todo o Estado passaria à bandeira vermelha a partir da meia-noite de hoje. Para evitar que os municípios adotem protocolos compatíveis à bandeira laranja, uma vez que os indicadores ainda apontam risco alto (vermelha), o sistema de cogestão será suspenso pelo menos até o dia 10 de maio para que as regras fiquem limitadas ao que hoje já está sendo adotado pela cogestão na bandeira preta (limite de vermelha).

As novidades não param por aí. Leite também confirmou que o atual modelo de Distanciamento Controlado será substituído no dia 10 de maio, data em que completa um ano de seu lançamento. "Vamos substituir esse modelo por outro mais aprimorado e adequado a essa nova fase que nós estamos vivendo na pandemia", destacou.

Sem consulta ao comitê
Em entrevista à Rádio Gaúcha ontem, o infectologista e ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pedro Hallal, tratou as mudanças no modelo de Distanciamento Controlado como um erro estratégico. Integrante do comitê científico estadual que participa das discussões relacionadas à pandemia, Hallal afirmou que a decisão do governo surpreendeu os membros do grupo, que não teriam sido consultados ou informados previamente. "O governo queria a retomada das aulas, judicialmente não conseguiu e, portanto, muda o modelo para retomar as aulas. Sinceramente não posso receber como uma boa notícia. Acho que é um erro estratégico e não por causa da volta às aulas, mas sim pelo próprio modelo. A mudança do modelo é pior que o desfecho, que vai ser a volta às aulas", destacou.

O epidemiologista lembrou ter sido um dos defensores do retorno dos alunos às salas de aula em meados de 2020, quando os números da pandemia estavam em declínio. No entanto, garante que o cenário atual não é propício para se pensar em retomada do ensino presencial. "Nós temos fila de espera por UTI em Pelotas, mais de dez pessoas esperando. Que clima se tem para retomar aulas hoje em Pelotas? Então eu acho que essa inconsistência entre o estágio epidemiológico e o interesse correto e genuíno de retomada das aulas é que está gerando essa confusão toda. Queremos voltar às aulas, mas antes disso precisamos controlar a pandemia, especialmente nas regiões do Estado onde a pandemia está totalmente descontrolada. E o sul do Estado é uma delas", finalizou.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados