Eleições 2020

Candidatos começam a abrir votos do 2º turno

Alguns nomes que ficaram de fora da disputa já se pronunciaram, poucas horas após o resultado das urnas, sobre quem irão apoiar

16 de Novembro de 2020 - 21h23 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Paula e Ivan começam a receber apoios (Foto: Jô Folha - DP)

Paula e Ivan começam a receber apoios (Foto: Jô Folha - DP)

Poucas horas depois de conhecido o resultado para a prefeitura de Pelotas, começava a corrida para alinhar estratégias em busca da vitória, em 29 de novembro. Duas frentes são fundamentais, principalmente, para o candidato Ivan Duarte (PT), que precisa reverter o cenário. De um lado, mais de 64 mil eleitores - o equivalente a 26% - deixaram de ir às urnas, no último domingo (15). De outro, há a busca por aliados. Nesta terça-feira, Dan Barbier (PDT) e Júlio Domingues (PSOL) já abriram apoio ao petista, antes mesmo das definições de seus partidos.

Ao conversar com o Diário Popular, a cientista política e socióloga Elis Radmann é enfática: “Se os dois candidatos não conseguirem mobilizar os eleitores, ativando a crença em suas propostas, a tendência é de que o número de abstenções aumente”, explica. E é fácil de entender o porquê. Na eleição 2020, dois fatores fizeram com que um índice histórico de eleitores não se sentisse motivado a votar: há um forte processo de negação da política e uma preocupação com os riscos de contaminação da Covid-19.

Agora com o segundo turno, em que tradicionalmente esquenta o enfrentamento de ideias e, com a informação de como transcorreram os protocolos de segurança durante a votação, existe a possibilidade de que mais cidadãos se sintam interessados em acompanhar a campanha. Mas não há como fincar de que esta motivação Irá ocorrer. O comportamento contrário, de querer se distanciar ainda mais do processo, também é uma hipótese - afirma Elis Radmann. Será, portanto, um desafio para os dois candidatos.

Dia de análises e planejamento

Paula Mascarenhas (PSDB), da coligação Vamos em Frente, Pelotas, cumpriu agenda como prefeita durante a manhã. Além de se envolver em compromissos na própria prefeitura, a tucana também concedeu entrevistas a emissoras de rádio e TV da região. Apesar de a vitória no primeiro turno ter escapado por apenas 409 votos, Paula não se coloca na condição de favorita, apesar de ter conquistado mais do que o triplo de votos do adversário direto Ivan Duarte. Foram 78.599 contra 22.889.

“É importante que a ampla maioria da população escolha o projeto para a cidade. Vai ser melhor para a cidade ter este segundo turno”, destacava já na noite de domingo. E falava na importância de mostrar projetos e propostas que não puderam ser explorados nesta primeira etapa da campanha.

Ivan Duarte dividiu a segunda-feira entre conceder entrevistas e participar de reuniões internas para definição de estratégias; entre elas a formação de um grupo com as candidaturas de centro-esquerda. “Agora será um novo jogo, com tempos iguais de televisão e mais oportunidades de debates”, reforçou, na tarde desta terça, com a aposta de equilíbrio na disputa.

O petista voltou a mencionar os números que estão em jogo, para ser garimpados. E ao somar, brancos, nulos, abstenções e os votos depositados nos outros dez candidatos, lembra que o total - 139,7 mil - ultrapassa a votação da prefeita.

A posição dos outros nove candidatos

Dan Barbier (PDT):
O pedetista oficializou o apoio a Ivan Duarte através das redes sociais, antes mesmo da posição oficial do partido. Ao comentar a desvantagem dos números, demonstrou otimismo: “Existe um mar de possibilidades. Estou comprometido em ajudar a tocar o coração das pessoas”, reiterou ao DP.

Júlio Domingues (PSOL):
Também decidiu abrir apoio à chapa petista, mas motivado, principalmente, pelo peso da figura da candidata à vice-prefeita Iya Sandrali. “Em função de ela ser uma yalorixá e ter grande importância ao movimento negro, decidi apoiar o PT”, enfatizou. O diretório municipal do PSOL ainda irá analisar se reforçará a decisão tomada por Júlio Domingues.

Tony Sechi (PSB):
O candidato aguarda encontro do partido para tomada de posição conjunta.

Fetter Jr. (PP):
Em nota de agradecimento à militância e à população, Fetter Júnior desejou uma competição limpa e propositiva às duas candidaturas que se mantiveram no pleito. “Que vença quem conseguir representar os justos anseios e aspirações de nossa gente”.

Marcelo Oxley (Podemos):
Ao falar como candidato e presidente municipal do partido, Marcelo foi objetivo: “Não vamos abrir apoio a nenhum dos dois”. Os filiados, portanto, estarão liberados para votar em quem apostarem ser a melhor alternativa para Pelotas.

João Carlos Cabedal (MDB):
O partido reuniu-se na tarde desta terça para debater a posição a ser tomada.

Marco Marchand (DEM):
O democrata adiantou que pretende ficar neutro neste segundo turno e ainda aguarda as deliberações oficiais. “Não sei qual será a decisão do partido, já que tivemos parte da nossa liderança que, ainda de maneira velada, apoiou a atual administração no primeiro turno”.

Coronel Napoleão (PRTB):
O partido também deve reunir-se nos próximos dias. Até a tarde desta terça não havia data definida.

Eduardo Ligabue (PCO):
O encontro com lideranças regionais não estava agendado, mas o candidato afirmou: “Não vamos fugir da nossa linha, do nosso histórico”. E adiantou: “Se abrirmos apoio, será para o Ivan”.


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