Coronavírus

Bolsonaro suspende compra de seringas

Presidente disse que pretende aguardar redução de preços e que estados e municípios possuem estoque para iniciar vacinação

06 de Janeiro de 2021 - 16h17 Corrigir A + A -

Por: Redação
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Jair Bolsonaro e Eduardo Pazuello 160920 - Carolina Antunes PR (1)

Presidente e o ministro da Saúde ainda não confirmaram calendário de imunização (Foto: Carolina Antunes - PR

Um dia após a informação de que o governo pretende lançar edital para compra de seringas e agulhas até meados de janeiro, Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quarta (6) que a aquisição dos insumos fundamentais para a vacinação contra o coronavírus está suspensa. De acordo com o presidente, o processo não terá continuidade "até que os preços voltem à normalidade".

Há uma semana, a primeira tentativa do governo federal de obter os materiais foi fracassada. Das 331 milhões de seringas e agulhas necessárias para a campanha de imunização, apenas 7,9 milhões foram compradas, o que equivale a 2,4% da demanda projetada. O motivo da frustração foi a falta de ofertas por parte das fabricantes, que consideraram o preço estabelecido pelo ministério como abaixo do mercado.

Pelas redes sociais, Bolsonaro justificou a suspensão atribuindo a uma alta nos preços a partir do interesse do governo na compra de insumos. "Como houve interesse do Ministério da Saúde em adquirir seringas para seu estoque regulador, os preços dispararam e o MS suspendeu a compra até que os preços voltem à normalidade". Na avaliação do presidente, a suspensão do processo de aquisição não deve prejudicar o início da vacinação, já que estados e municípios contariam com quantidade suficiente dos materiais para a etapa inicial de aplicação das doses.

Normalmente governos estaduais e prefeituras adquirem seringas e agulhas. Contudo, durante a pandemia o Ministério da Saúde decidiu centralizar as compras. Para reduzir o risco de desabastecimento, a pasta restringiu a exportação destes insumos por parte de indústrias nacionais.

44 milhões

Conforme levantamento realizado entre os governos estaduais e municipais, o país contaria no momento com seringas e agulhas para a aplicação de 44 milhões de doses da vacina contra o coronavírus. O número é considerado o bastante para uma primeira etapa de imunização.

O Ministério da Saúde aponta como prazo otimista para que grupos de risco comecem a receber o imunizante o dia 20 de janeiro. Porém, em cenário mais pessimista, o início pode se dar apenas em fevereiro. Na terça-feira, governadores cobraram da pasta um cronograma definitivo de vacinação, o que ainda não foi informado. "É fundamental que o governo federal assuma a dianteira na coordenação do PNI (Plano Nacional de Imunização). Isso significa compra de vacina e insumos, organização de estratégias e definição de uma data para a chegada dessas vacinas aos estados", diz o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), que lidera grupo de interlocução sobre a vacina.


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