Eleições 2020

As ideias para a Educação de Pelotas

No Dia do Professor, concorrentes à prefeitura falam sobre o que projetam pensando no futuro da categoria e do ensino na rede pública municipal

15 de Outubro de 2020 - 08h50 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça e Michele Ferreira
vinicius.peraca@diariopopular.com.br
michele@diariopopular.com.br

Aulas suspensas desde março, alunos sem saber quando voltarão a reencontrar os colegas e ter contato com a sala de aula e professores aprendendo a lidar com suas turmas e engajá-las através de telas. Se 2020 trouxe novos desafios ao ensino por conta da pandemia do coronavírus, é de se esperar que o tempo a ser recuperado em 2021 passe a ser uma dificuldade adicional em uma área da administração que está sempre sob olhar atento da população.

Na data em que é celebrado o Dia do Professor e que marca também um mês exato até a eleição, os candidatos à prefeitura respondem sobre a Educação em Pelotas. Foram endereçadas três perguntas: uma elaborada pela pró-reitora de Ensino da UFPel e coordenadora da Comissão de Licenciaturas da Faculdade de Educação (FaE), Maria de Fátima Cóssio; outra pela presidente do Sindicato dos Municipários (Simp), Tatiane Rodrigues; e a terceira elaborada pelo Diário Popular.

As perguntas

Fátima Cóssio, FaE/UFPel - Considerando a importância da docência na qualidade da educação básica e, portanto, a emergência de políticas públicas que considerem todos os aspectos que envolvem o trabalho docente, pergunta-se: quais são as propostas do(a) candidato(a) para a valorização da carreira?

Tatiane Rodrigues, Simp - O futuro governo se compromete em cumprir o Piso Nacional do Magistério - como prevê a legislação - e pagá-lo sobre o Plano de Carreira existente desde 1989, em Pelotas?

Diário Popular - Pelotas enfrentou, por conta da pandemia, um ano atípico em que a Educação praticamente parou. Como recuperar o tempo perdido e garantir a qualidade do ensino aos milhares de alunos da rede pública?

Confira o que dizem os prefeituráveis:

Daniel Barbier (PDT)

O candidato e sua assessoria não responderam os questionamentos até o fechamento da matéria.

Eduardo Ligabue (PCO)

1. A valorização e a qualidade de vida dos trabalhadores são consideradas prioridades do Partido da Causa Operária. "Entendemos que o trabalho docente é um dos pilares da sociedade e precisa de valorização".

2. Apesar de mencionar a busca pela ampliação de verbas para Educação, a necessidade de ambiente de trabalho e estrutura melhores e a luta por aumento nos salários, o PCO não falou diretamente sobre o Piso Nacional do Magistério. Ao abordar o funcionalismo público de modo geral, o compromisso é o pagamento de salários além do mínimo nacional.

3. Quando o assunto se volta à recuperação do ensino, em função da pandemia, Eduardo cita duas alternativas: começar o ano letivo de onde parou ou tentar conciliar o 2021 com as aulas a distância, embora o candidato faça críticas ao sistema remoto: "Para nós, não cumpriu o papel importantíssimo que é transmitir conhecimento".

Fetter Jr. (PP)

1. O progressista elenca ações consideradas necessárias para qualificação profissional e infraestrutura escolar: melhor remuneração; cursos de qualificação; manutenção das férias coletivas e do recesso escolar em todas as escolas , inclusive as de Educação Infantil; ampla discussão para reorganizar o sistema escolar e o fazer pedagógico, garantindo respeito ao professor e o sucesso do aluno; descentralização da supervisão escolar com criação de câmaras setoriais por bairros; e diálogo permanente com a categoria.

2. A promessa é retomar discussão para ajustes no Plano de Carreira que corrijam distorções levando em conta a situação financeira da prefeitura. "Vamos discutir com a categoria e o SIMP para ver o que será possível fazer e quando. Nossa disposição é valorizar os profissionais da Educação, impactando na melhoria da qualidade do ensino e na vida dos profissionais do setor."

3. A ideia é garantir o retorno presencial em condições adequadas, respeitando protocolos e levando em conta o estágio de contenção do coronavírus. "Pelo contexto, hoje, todo o sistema da rede municipal de ensino terá de ser reorganizada, inclusive no que se refere ao calendário", diz. Diz que irá ouvir a comunidade escolar na busca de consenso para elaborar pauta em torno de ensino de qualidade e condições de trabalho com integridade sanitária e física.

Ivan Duarte (PT)

1. A valorização dos servidores é fundamental para a retomada dos serviços públicos após a pandemia. Hoje 70% de todos os servidores precisam de complemento para receber um salário mínimo - aponta o candidato. "Vamos construir junto com os servidores um plano para valorização das carreiras e dos salários". Retomar um programa de formação continuada para educadores, abandonado pelos últimos governos, é mais uma das prioridades. O diálogo com a categoria também precisa ser restabelecido.

2. O tema promete ter transparência absoluta e já no primeiro mês de governo serão chamados representantes dos municipários e técnicos da Fazenda para estabelecer um plano de recuperação, com meta do pagamento do Piso até 2024. Ao disparar críticas aos últimos governos municipais, que teriam provocado achatamento e tentativas de retirada dos direitos dos trabalhadores da Educação, Ivan Duarte assegura que o compromisso é de inverter a lógica e valorizar os servidores.

3. O calendário letivo será organizado através de diálogo com a comunidade escolar e irá considerar questões específicas de cada instituição e território. Entre as prioridades, busca ativa de quem está fora da escola, em conjunto com o sistema de proteção social, e avaliação médica e psicossocial para estudantes evadidos. "Não deixaremos nenhum aluno para trás". Um levantamento da infraestrutura das escolas e seu entorno, para garantir ambiente adequado para as atividades, e a formação continuada em tecnologia para professores, com o objetivo de tornar o processo mais dinâmico, inclusivo e saudável também ganham destaque nos planos.

João Carlos Cabedal (MDB)

1. O candidato é incisivo: "A valorização da docência, não é promessa e sim um compromisso". Cabedal defendeu a ideia de que todas as escolas da rede funcionem em tempo integral e o turno inverso seja utilizado para formação profissional e cidadã dos estudantes. A tradicional merenda escolar assim como a alimentação complementar estarão garantidas a todos - assegura.

2. O pagamento do Piso Nacional do Magistério será efetuado, após avaliação - junto com as diferentes categorias da rede municipal - da repercussão da decisão nos diferentes aspectos. "Não conhecemos com profundidade o Plano de Carreira de 1989 e seus desdobramentos com o passar dos anos", afirma. E adianta que o contato com os próprios profissionais deverá ser capaz de apontar a viabilidade e colaborar para a decisão do governo.

3. O candidato destaca a elaboração de estratégia que permita a retomada com o máximo de eficiência. A participação de especialistas do quadro para sugerir, elaborar e executar o desafiador projeto da educação para os anos seguintes será um dos instrumentos. "Não faremos aventuras".

Júlio Domingues (PSOL)

1. "Para os professores no município, atualmente ter qualificação não significa vantagem salarial", diz o candidato. Ele propõe a construção do Plano de Carreira junto à categoria, viabilizando o pagamento do piso como base para cálculo das demais vantagens. Também se compromete a pagar o valor adicional aos professores que atuam na Educação Especial.

2. Conforme o psolista, o pagamento do Piso Nacional do Magistério sobre o atual Plano de Carreira significa acréscimo de 50% no salário líquido dos professores. "É necessário trabalhar para instituir o plano de carreira elaborado pelo Simp, em que traz uma real valorização não apenas dos professores, mas de todo o funcionalismo público, que ainda hoje precisa, em grande parte, de complementação para alcançar o valor do salário mínimo."

3. O candidato projeta que em 2021 ainda será necessário o ensino online. A ideia é que se dê atenção à saúde mental de professores e alunos, além de construir processos pedagógicos viáveis diante das limitações. Ele propõe busca ativa pela Smed para atendimento de alunos e educadores sem acesso à internet. Também promete destinar a merenda escolar aos alunos de famílias carentes, com volta às aulas presenciais somente em cenário de total segurança.

Marcelo Oxley (Podemos)

1. Trazer os profissionais da Educação para a base das decisões do processo ensino-pedagógico é um dos compromissos. Um plano de salários que envolva projetos de capacitação e produtividade também está no topo das prioridades. "Haverá capacitação constante da categoria, nos anseios da sabedoria". Parceria com as universidades, através de projetos de extensão, é mais uma das intenções.

2. O pagamento do Piso Nacional do Magistério será prioridade. "O Piso é um direito que deve ser respeitado. Valorizar o professor, ajuda a fazer uma educação de qualidade". Marcelo Oxley também fez críticas aos governos que se comprometem em atender o que estabelece a lei, mas os professores precisam recorrer à Justiça para fazer valer seus direitos.

3. O ano de 2021 precisará ser de sondagem e reforço de conteúdos, assim como de realização de projetos que incentivem os alunos que abandonaram os estudos, principalmente, para trabalhar diante da crise financeira. O candidato reconheceu o esforço de professores e de estudantes, que precisaram se reinventar, para tentar manter as aulas apesar das dificuldades do ensino remoto. "É triste ver que a educação que inclui, acabou excluindo", afirma. "Pandemia não é culpa de ninguém, mas o governo deve apoiar de todas as maneiras quando há dificuldade".

Marco Marchand (DEM)

1. O candidato se compromete com o pagamento de direitos dos professores, citando como exemplos o Piso Nacional do Magistério e difícil acesso. "Sempre valorizando os professores."

2. O democrata reitera promessa de pagar o piso. "Sim, após organizar a nova gestão do município."

3. "Tem professores com 40 e 60 horas. Ficará bem complicado para recuperar", diz. Segundo ele, será preciso ouvir equipes diretivas das escolas e professores para avaliar as melhores maneiras de recuperar o período letivo. Ele cita como proposta que sejam dadas aulas aos sábados ou em turno inverso.

Marcus Napoleão (PRTB)

1. O candidato apresenta como principais propostas: desenvolver a cultura de respeito aos mestres; premiação por mérito; cursos de qualificação para todo quadro docente; intercalar aulas presenciais com aulas online, garantido mais tempo aos professores para preparação de aulas e reduzindo custos de deslocamento; criação do programa de atualização cibernética, financiando renovação de computadores e tablets dos educadores; e incorporar ao pensamento pedagógico ferramentas de educação virtual.

2. "Queremos pagar o piso a todos os professores. Não se pode buscar educação de qualidade sem o pagamento justo e devido ao docente", diz. A promessa é mapear educadores que ainda não recebem o piso, com o corte de cargos comissionados (CCs) e uso da verba economizada para o pagamento dos educadores.

3. O candidato diz considerar 2020 um ano de aprendizado na Educação. "Aprendemos muitas lições sobre como lidar com o vírus e conseguimos preservar a todos que vivenciam a realidade escolar." Ele pretende usar como referência de ensino as escolas cívico-militares, adotando "turno inverso, diálogo, respeito às diferenças para conduzir nosso trabalho". O objetivo é promover a recuperação gradativa das aulas conciliando com o cuidado das pessoas.

Paula Mascarenhas (PSDB)

1. Melhores condições de trabalho, formação dos professores e progressão remuneratória na carreira integram as prioridades para valorização da categoria. A prefeita também se compromete em permanecer investindo nas escolas para que tenham infraestrutura adequada para a realização das atividades e recursos que viabilizem as melhores práticas pedagógicas. Queremos possibilitar qualificação docente, por meio de capacitações e formação continuada", afirma a prefeita.

2. Ao defender que o Plano de Carreira atual precisa de modernização, Paula assegura que o governo pensará em proposta que garanta o pagamento do Piso Nacional do Magistério como vencimento básico e motive os professores a permanecerem na carreira, com crescimento remuneratório adequado, melhorando o processo de qualificação e a valorização por mérito.

3. Ao comentar como se dará o processo de recuperação do ensino, a candidata à reeleição fala na aplicação de um ferramenta de avaliação que permitirá identificar as deficiências de cada aluno - já que parte deles não teve acesso às aulas remotas. Aulas de apoio, portanto, serão um dos instrumentos de recuperação. "Esse, certamente, é um processo que vai levar anos, mas no qual a gente confia muito, pela capacidade dos professores".

Tony Sechi (PSB)

1. O candidato promete criar o 14º salário para todos os professores, valorizar os planos dos profissionais e garantir gratificações conforme o desempenho da escola no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Também pretende equiparar salários de diretores de escolas de Educação Infantil e Básica, além de promover formação continuada dos trabalhadores da educação.

2. O compromisso é promover enxugamento de gastos na administração municipal com corte de 50% dos CCs e redução do endividamento para viabilizar o pagamento de salários em acordo com a Lei do Piso. "Vamos definir um cronograma, juntamente com o Simp, para começarmos a pagar o mais imediato possível o Piso Nacional para o Magistério. Faremos tudo de forma transparente e com diálogo, diferente do que ocorre no momento".

3. "Iremos definir um grupo de trabalho para estabelecermos a recuperação de conteúdo e do emocional abalado de alunos e servidores." O candidato fala em investir em programa de robótica, ampliação do acesso à internet sem fio de alta qualidade que beneficie também comunidades do entorno das escolas. Ele também promete ampliar a participação de trabalhadores da educação e familiares na definição das políticas da área.

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