Editorial

As doações irregulares nas eleições

24 de Novembro de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Até o dia 16 de novembro, um dia após o primeiro turno das eleições municipais 2020, o Núcleo de Inteligência da Justiça Eleitoral (JE) já havia identificado indícios de irregularidades nas prestações de contas de candidatos que ultrapassavam os R$ 60 milhões. O valor correspondia a quase o dobro do levantamento feito no relatório anterior, quando as inconsistências somavam R$ 38 milhões.

De acordo com o levantamento, as doações feitas por pessoas sem emprego formal se destacaram e chegaram a mais de R$ 33 milhões, feitas por 9.068 doadores no país. Em segundo lugar apareceram 1.981 doadores com renda incompatível ao valor destinado às candidaturas. Essas colaborações ultrapassaram os R$ 17 milhões.

O controle de indícios de irregularidades, de acordo com o órgão, é realizado pelo Núcleo de Inteligência da Justiça Eleitoral, formado por representantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Receita Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ministério Público Eleitoral (MPE), Defensoria Pública Federal (DPF), Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério da Cidadania (MC).

Outros números também chamaram a atenção: 1.745 fornecedores sem registro ativo na junta comercial ou na Receita Federal receberam R$ 3,3 milhões por serviços prestados durante a campanha deste ano, enquanto outros 1.289 fornecedores possuíam em seu quadro societário beneficiários do programa Bolsa Família. Nesse quesito, aliás, 1.227 pessoas identificadas como doadoras estavam inscritas em programas sociais de auxílio para subsistência. Mesmo assim, seus nomes apareceram vinculados a doações financeiras de R$ 573 mil. Também mais de R$ 1,6 milhão foi repassado por 925 fornecedores com algum relação de parentesco com o candidato.

Caberá agora a essas pessoas, e também aos partidos, responderem por tais inconsistências na prestação de contas.


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