Editorial

O que você pisa

10 de Dezembro de 2019 - 08h15 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Calçadas do Brasil, uma avaliação da caminhabilidade nas cidades brasileiras. Eis o tema da campanha desenvolvida pelo portal Mobilize, Mobilidade Urbana Sustentável, cujos resultados do estudo começam a ser divulgados à sociedade. E o balanço apresentado aos senadores, em audiência pública na Subcomissão Temporária sobre Mobilidade Urbana, ligada à Comissão de Direitos Humanos (CDH), chamou a atenção justamente pela falta de exemplo de quem deveria dar o exemplo: nenhuma das 27 capitais brasileiras atingiu a média mínima aceitável de oito pontos numa escala de zero a dez - as médias mais altas ficaram abaixo de sete.

A lógica é simples: quem planeja a cidade - prefeitos, secretários, técnicos e estudiosos - reconhecem que investir cada vez mais em meios alternativos de locomoção, no rumo contrário ao dos veículos automotores, é o futuro. E muito passa por estimular as pessoas a caminharem mais. Mas é impossível convencer alguém à prática em um “campo minado” de irregularidades como desníveis, pisos soltos, lisos e faltosos, com buracos capazes de provocar graves lesões.

Ao apresentar o tema, o portal Mobilize destaca o cenário que seria ideal para cada localidade: “Cidades caminháveis são mais vivas, vibrantes e atrativas.” Mais do que isso, quanto mais gente caminhando, melhor a saúde da população.

Sem fazer a lição de casa, porém, a proposta se torna inviável. E sempre é bom lembrar: a responsabilidade pela calçada, sua conservação e qualidade, é do proprietário do imóvel, assim como cabe ao Poder Público cuidar da frente de seus prédios. Àqueles que têm dúvida, as secretarias municipais costumam orientar sobre a maneira correta de fazer esse trabalho. Para que, no final, todos ganhem.


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