Editorial

Zerar a fila de pacientes com hepatite C

07 de Agosto de 2017 - 08h39 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A meta é ousada: terminar com a fila de pessoas diagnosticadas com hepatite C, em grau avançado de comprometimento do fígado, nos próximos meses. O anúncio foi feito pelo Ministério da Saúde, que pretende implantar, até dezembro desse ano, nas Unidades Básicas de Saúde, o chamado “tratamento inovador”. Ele consiste em oferecer os medicamentos sofosbuvir, daclatasvir ou simeprevir, que apresentam cura de cerca de 90%.

O tratamento, ainda, não será exclusivo às pessoas diagnosticadas com a doença e também será oferecido a outros públicos, que passarão a ser tratados com o novo esquema de medicamentos. Segundo o governo federal, todos os 135 mil identificados com hepatite C, independentemente do grau de comprometimento do fígado, serão atendidos.

A assistência será feita conforme a gravidade. O comprometimento do fígado varia de F0 a F4. A fila dos casos diagnosticados F3 e F4 acabará neste semestre. Já no primeiro semestre de 2018, os diagnosticados com F2 serão plenamente atendidos, enquanto os demais serão contemplados integralmente no período de dois anos.
Em Pelotas, as notificações recebidas pela Secretaria de Saúde (SMS), através de postos e hospitais da rede pública e privada, apontam a incidência do vírus na cidade. Entre 2007 e 2016 foram registradas 294 pessoas com o vírus A, 195 com o vírus B e 916 com o C - pelo menos 1.450 diagnósticos de algum tipo. A maior incidência é justamente o da C.

No Brasil, ano passado, foram identificados 42.830 casos de hepatites virais (dados do Boletim Epidemiológico). Do tipo B, ano passado, foram notificados 14.199 casos _-taxa de detecção de 6,9 casos por cem mil habitantes. A transmissão da B se dá por sexo desprotegido e sangue contaminado. A vacina disponível no SUS teve sua cobertura ampliada e é considerada a melhor estratégia de prevenção à doença.
Já com relação à C, foram 27.358 casos em 2016 - 13,3 casos por cem mil habitantes. O mesmo patamar de 2015, quando foram notificados 27.441 casos. A doença é transmitida pelo contato com sangue contaminado. Embora ainda não exista vacina contra ela, o tratamento é eficaz e está disponível no SUS.

No mundo, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), as hepatites virais levaram à morte 1,4 milhão de pessoas em 2015. A maioria ligada à doença hepática crônica e câncer de fígado primário.


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