Editorial

Você sabe quem segue nas redes?

10 de Julho de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Duas notícias ligadas à exploração das redes sociais merecem atenção daqueles que usam essas ferramentas e acreditam que não estão sendo alvos de tentativas de manipulação de opinião por parte de grupos focados em temas específicos. No caso, política e poder.

A primeira diz respeito à auditoria independente contratada pelo Facebook, que concluiu: a rede social deve melhorar a forma como trata os posts com discursos de ódio. A ponto de Sheryl Sanderg, diretora de operações do Facebook, admitir após a divulgação dos resultados que "a ênfase que colocamos na liberdade de expressão não foi adequadamente equilibrada pelo valor essencial da não discriminação".

Na questão política, a auditoria criticou ainda a plataforma por ignorar os discursos, privilegiando aqueles que ocupam posições de poder. E num processo eleitoral, isso pode fazer toda a diferença. A mensagem teve ligação direta com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que muito usou das publicações durante a campanha que o elegeu.

E a segunda notícia associa-se ao anúncio do Facebook, de ter removido uma rede com mais de 70 páginas e perfis falsos ligados ao PSL, à família do presidente Jair Bolsonaro e a deputados estaduais do Rio de Janeiro. A investigação, ainda, atingiu outros países, onde, igualmente, contas falsas foram removidas.

De acordo com a empresa, "cerca de 883.000 contas seguiram uma ou mais dessas páginas (no Facebook), cerca de 350 contas ingressaram neste grupo e cerca de 917.000 pessoas seguiram uma ou mais dessas contas do Instagram." Logo, tiveram contato com suas publicações.

Não existe fórmula para saber quem está do outro lado de uma conta nas redes sociais, se postando informações verdadeiras ou tendenciosas. O que deve existir é a prudência de cada um e discernimento na hora de ver, interpretar e compartilhar o que se recebe. E, se tiver alguma dúvida, tentar sempre checar, principalmente com aqueles que, por natureza, são confiáveis, como os veículos de comunicação.


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