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Você já abraçou alguém hoje?

14 de Maio de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Guto Bolsoni

Assim como muitos, venho de uma família com um perfil mais rígido, onde demonstrar sentimentos sempre foi difícil. Raramente ouvia as emoções dos meus familiares serem verbalizadas. Demorei alguns anos para entender como manifestar afeto e aprender a dar e receber carinho. Felizmente, durante minha trajetória, redescobri a força transformadora de um abraço.

A mágica do abraço é que ele não pode e nem deve ser concretizado unilateralmente. Não há como, fica impossível. O abraço desvenda as pessoas, expõe as fragilidades delas e permite que, na união destas dores, um se apoie no outro. Esse é seu efeito prático, simbólico e curativo.

Há até uma campanha ao redor do mundo, inclusive no Brasil, chamada "Free Hugs" ou abraços grátis, onde grupos se posicionam em lugares movimentados para oferecer carinho aos que transitam por ali. O objetivo é mostrar como o abraço pode ser o que muitos precisam para superar um dia difícil.

Cientificamente também já foi comprovado que o abraço possui diversos benefícios para a saúde mental. Grandes figuras como Freud e Jung e seus discípulos, Winnicott, Klein e Fromm, evidenciaram a importância do abraço, em todas as idades, para a pisque humana.

O abraço favorece o desenvolvimento de vínculos de cura, pois preenche os vazios do coração. Ele é o porta-voz da beleza interior, pois opera em nível profundo nossas emoções. Abraçar é mostrar para o outro nossos sentimentos e reafirmar o que sentimos, mas também permitir ao outro se mostrar.

Além dos benefícios para a mente, como a redução dos sintomas de depressão e ansiedade, o toque físico afetivo ativa no cérebro os controles de alívio da dor. Um abraço pode diminuir a pressão sanguínea, restaurar os níveis dos batimentos cardíacos e até aumentar a longevidade.

Se você também recebeu uma educação que não incentivou a demonstração de afeto, tenho um conselho. Abrace mais as pessoas. Se permita criar conexões poderosas com outros indivíduos, se permita sentir e ser sentido. Você já abraçou alguém hoje? Então abrace mais, abrace já!

 


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