Editorial

Uma tragédia diária na Índia

04 de Maio de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A Covid-19 não dá trégua em alguns países. Fruto da irresponsabilidade da população? Pode ser, mas não apenas. Obra da demora dos governantes na hora de agir com mais vigor na implementação de restrições ou em busca de acesso à vacina? É possível, mas o problema é maior. Muito mais importante do que eleger um culpado, é, neste momento, encontrar uma solução. Os tribunais poderão realizar seus trabalhos conforme o andar da carruagem. Já os sistemas de saúde precisam de ajuda imediata. O prazo é sempre o ontem.

Ainda vivendo um momento grave da pandemia, o Brasil não é exatamente um exemplo. Com mais de 400 mil mortos em decorrência do coronavírus, o país luta internamente, muitas vezes consigo mesmo, para obter imunizantes suficientes, o que trará um alívio - mesmo que momentâneo - à população. O total de contaminados desde o início da pandemia já bate à porta dos 15 milhões. Apesar das estatísticas serem, sim, trágicas, ainda é possível vislumbrar uma saída. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse ontem que o governo tem como prioridade a vacinação e como horizonte imunizar toda a população contra o coronavírus ainda em 2021.

Situação bem pior vive a Índia. Ontem, pelo 12º dia consecutivo, o país registrou número superior a 300 mil contaminações diárias. O total de casos já é de quase 20 milhões, o que torna a Índia o segundo país com mais infecções por coronavírus. O primeiro posto é dos Estados Unidos, com mais de 30 milhões de contaminados. No entanto, os estadunidenses vêm conseguindo - mesmo que com números ainda muito altos - manter uma queda nas contaminações. Fruto, também, do processo de imunização, que avança com força na América do Norte.

A Índia, na contramão, vive seu pior momento. Especialistas dizem que os números reais no país, de 1,35 bilhão de habitantes, podem ser de cinco a dez vezes superiores à contagem oficial. Além disso, os casos positivos para a Covid-19 no país podem atingir o pico entre hoje e amanhã, de acordo com o modelo matemático apresentado por uma equipe de cientistas que aconselha o governo - uma prévia, já que o vírus se dissemina mais rápido do que o esperado.

Os hospitais indianos estão completamente cheios, assim como os crematórios e necrotérios. Os suprimentos de oxigênio médico estão escassos, algo extremamente preocupante em meio à disparada de novos casos. Ao menos 11 estados e territórios impuseram algum tipo de restrição para tentar conter as infecções, mas o governo nacional reluta em anunciar um lockdown geral.

Na luta contra o vírus, a esperança dos indianos, é claro, só pode estar na vacinação em massa. Foram aplicadas mais de 150 milhões de vacinas. Um número expressivo, mas que representa menos de 10% do enorme país e que ainda está longe do objetivo de vacinar 300 milhões de indianos até julho. Até lá, o processo de imunização precisa andar. Ligeiro e preciso. Na Índia, no Brasil, em todo o mundo. Só assim estaremos mais próximos de voltar ao normal.


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados