Editorial

Uma política aos jovens mais vulneráveis

17 de Fevereiro de 2020 - 06h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Ampliar as oportunidades aos jovens através do investimento em educação, apostar na empregabilidade equitativa e capaz de desafiar estereótipos de identidade e raça, e investir na redução do acesso às armas de fogo. Concentrados nessas medidas, Robert Muggah e Ana Paula Pellegrino, autores do estudo Prevenção da violência juvenil no Brasil: uma análise do que funciona, destacam a necessidade de uma política de atendimento efetivo, capaz de reduzir um dos principais problemas sociais do nosso país.

Essas e outras informações constam no trabalho produzido pelo Instituto Igarapé, com o apoio do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Segundo o levantamento, os negros têm hoje 2,5 vezes mais chances de serem vítimas de assassinato do que os não negros no Brasil. Entre 2006 e 2016, os homicídios entre negros subiu 23,1%, enquanto entre os não negros houve queda de 6,8%. Os jovens negros são também as principais vítimas de violência policial, aponta o site das Nações Unidas.

Outro ponto importante lembrado pelo estudo diz respeito à oferta de serviços públicos a esses grupos. Porque, além da desigualdade racial, as desigualdades territorial e socioeconômica também expõem quem reside nessas áreas. Sem a presença de uma estrutura básica, existente em áreas melhor assistidas, acaba prevalecendo a presença de grupos criminosos organizados.

Quanto ao armamento, segundo o levantamento, há evidências de que, para cada 1% de aumento nas armas de fogo, cresce em 2% os casos de homicídios. Robert Muggah e Ana Paula Pellegrino defendem ainda programas focados na participação dos jovens no empreendedorismo como políticas efetivas de proteção.


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