Editorial

Uma escalada que exige mais de todos

28 de Janeiro de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A espera por vacinas contra a Covid-19 foi tão grande e o alívio da população foi tamanho ao ter acesso aos imunizantes que, aparentemente, houve relaxamento nos cuidados com a pandemia. A partir do momento em que quase todas as faixas etárias receberam duas ou até três doses e se confirmou o previsto e atestado pela ciência, de que os casos graves e óbitos cairiam, parcela muito significativa das pessoas passou a abrir mão de protocolos que foram - e são - essenciais para o controle do vírus.

Preste atenção ao seu redor, nos comércios, nas ruas. Já não são tão frequentes ações como o uso de álcool gel nas mãos, como era visto a todo momento e em qualquer lugar. Ele estava nas bolsas, nos carros, nos balcões. Hoje, mesmo quando presente, pode-se notar que nem todo mundo usa e quase nenhum estabelecimento cobra de seus clientes. Todos disponibilizam, é verdade, até por obrigação estabelecida em decretos. Mas em raros alguém orienta para o uso. Outra mudança perceptível: nas ruas, a máscara é cada vez menos presente nos rostos. E é ela, incansavelmente recomendada por especialistas, o principal instrumento de controle da disseminação do Sars-CoV-2. Sem ela, quem está com o vírus passa aos demais. Sem ela, quem não está com o vírus torna-se alvo fácil.

Nas últimas semanas, Pelotas tem batido recordes de contaminações, chegando a mais de 1,3 mil novos positivados na quarta-feira. Nos hospitais, leitos de UTI e enfermaria Covid-19 que restaram após os fechamentos de vagas desde os meses finais ano passado estão lotados. Ou seja: mesmo vacinados e mais protegidos, passamos a disseminar mais o vírus. O que, consequentemente, coloca em risco pessoas com saúde mais frágil, resultando neste momento grave enfrentado atualmente.

Age bem a prefeitura de Pelotas ao anunciar a reabertura de quatro leitos de UTI Covid na Santa Casa nos próximos dias, passando para 20 ao todo. Tomara que sejam suficientes. Como também se movimenta acertadamente ao abrir novo posto de testagem e convocar as demais prefeituras para ações a serem tomadas com urgência frente ao cenário da pandemia. Os sinais têm sido claros há semanas de que o controle do vírus havia se fragilizado. São mais de 30 dias seguidos com taxa de transmissão (RT) acima de 1.0, indicando aceleração dos contágios. No dia 5 de janeiro alcançou até então impensáveis 3.71 (cem pessoas infectando outras 371).

Não há mais tempo a perder. A demora em agir só tende a piorar a pressão sobre hospitais, pontos de testagem, economia (com trabalhadores afastados) e toda a sociedade. É fundamental frear o contágio. E todos - autoridades e cidadãos - têm responsabilidades. Os descuidos e relaxamentos estão cobrando a fatura.


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