Editorial

Um legado chamado Russomano

29 de Junho de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A poucos dias de Pelotas celebrar o seu aniversário, um de seus cidadãos mais ilustres do século 20, que no próximo dia 5 de julho completaria cem anos, teve no final da terça-feira a confirmação de mais uma grande e justa homenagem. A partir de um pedido feito em maio pela subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ao Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4), o Foro Trabalhista da cidade passa a se chamar Ministro Mozart Victor Russomano.

O reconhecimento a Russomano – mais um dentre tantos dentro e fora de Pelotas – é justo e digno da importância que teve para a Justiça do Trabalho no Brasil e no exterior. Graduado aos 22 anos de idade na Faculdade de Direito de Porto Alegre, o pelotense já passou a se destacar. Inicialmente, como juiz presidente da Junta de Conciliação e Julgamentos em sua cidade natal, com a qual sempre manteve vínculos. A partir daí, tornou-se desembargador do TRT4 até o final da década de 1960 e, no começo dos anos 1970, presidiu o Instituto Latino-Americano de Direito do Trabalho e Previdência Social. Além de lecionar e ser uma referência a milhares de alunos em universidades brasileiras, também atuou em instituições superiores da Venezuela e Peru.

Já um notável na sua área, Russomano teve papel importante como relator geral nos Congressos Ibero-Americanos de Direito do Trabalho em Madri (1965), Lima (1967) e Sevilha (1970), além de presidir um destes eventos, ocorrido em São Paulo em 1972. Tamanha sua influência, conhecimento na área e respeitabilidade, chegou não só ao posto de juiz do Tribunal Administrativo da Organização dos Estados Americanos, sediada em Washington, como foi eleito de forma unânime para a presidência da entidade entre 1972-1973 e reconduzido para permanecer até 1975.

Com uma obra vasta e tida como de absoluta relevância para o Direito do Trabalho, incluindo a autoria do anteprojeto do Código de Processo do Trabalho e da Lei Orgânica da Justiça do Trabalho, Russomano tomou posse como ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) em 1969, sendo vice-presidente e, depois, presidente da Corte entre 1972 e 1974. Tão marcante foi sua atuação que é raro alguma menção a seu nome que não inclua o cargo pelo qual ficou marcado: Ministro Mozart Victor Russomano.
O Ministro faleceu em 2010, mas sua dimensão, prestígio e reputação certamente deixaram um dos maiores legados que um pelotense já produziu. Sem dúvidas, merecedor da homenagem atual.


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados