Editorial

Um, dois, três…

21 de Novembro de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Jarbas Tomaschewski
jarbas@diariopopular.com.br 

Certamente você não entendeu o título desse editorial. Vou explicar. Toda vez que alguém da Redação do Diário Popular estava de aniversário, Sérgio Cabral, no meio da tarde, se levantava e começava um discurso que ninguém compreendia o motivo. "A vida precisa ser vivida, precisamos sempre festejar e hoje é um dia especial. É aniversário de um colega nosso. A(o)…". E arrematava assim: "Um, dois, três, parabéns a você…" E todos os colegas, rindo muito, seguiam a ordem do puxador oficial dos aniversários da Redação. Virou bordão entre nós.

Em outras oportunidades, chegávamos na correria do dia a dia e encontrávamos um bombom no computador, sem qualquer pista do autor do delicado presente. As digitais do gesto, porém, tinham a marca dele.

Sérgio Cabral retirou do anonimato atletas amadores que nunca conquistaram a glória em Pelotas por serem batalhadores solitários. Foi através do Prêmio Multiesporte, sua criação, que todos passamos a ver talentos que, muitas vezes, sequer sabíamos da existência, embora sempre estivessem entre nós. Homens, mulheres, adolescentes e crianças que tinham uma noite de glória, aplaudidos por uma multidão, finalmente reconhecidos. Para eles, isso era tudo.

Cabral era aquela pessoa que não chegava em um churrasco sozinho. Levava junto, quando percebia o momento certo, um grupo de samba. E ninguém mais conseguia permanecer sentado.

Cabral nos deixou na noite de quinta-feira com a marca de ter vindo ao mundo para fazer as pessoas felizes. Essa era a sua felicidade. Arrancar sorrisos e não deixar ninguém ao seu redor triste.

Se Cabral está no céu agora, por sua fé sempre presente, certamente alguns anjos já receberam bombons, santos começaram a sacudir a cabeça entre um samba e outro e alguém ouvirá, ainda hoje, um discurso que irá terminar assim: Um, dois, três…


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