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Um Brasil empobrecido que se desfez de sua cultura

25 de Junho de 2019 - 16h48 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Nery Porto Fabres - Professor

Trazer para o campo político todas as tragédias da vida pessoal tornou-se o modismo deste século 21, não há como apontar um dedo em riste sem mirar a política avassaladora que representa as minorias. Faltam emprego, moradia, saneamento básico, educação e saúde para os pobres que cercam os grandes centros comerciais brasileiros. Disso ninguém discorda.

Todavia, há livros sem leitores, salas de aula sem alunos, praças sem frequentadores para trocar ideias sadias. Os homens de hoje em dia preferem os servidores das redes sociais eletrônicas para acessar toda a forma de comunicação, já os alunos da educação moderna são soldados dos interesses políticos, e assim caminha o destino da nação brasileira, numa escuridão bárbara.

Os brasileiros tinham por convicção que eram torcedores de clubes do futebol carioca, de preferência o Flamengo, tinham uma paixão por praias ensolaradas, partilhavam de companhias alegres e apoiavam-se no samba para dar referência da música popular. Prestigiavam a caipirinha e a feijoada como símbolo da culinária.

Em meados da primeira década deste novo século se desprenderam da cultura e miraram o olhar para as tragédias. O sensacionalismo do jornalismo brasileiro escureceu as vistas de todos. O futebol foi o primeiro alvo e nele foram encontrar denúncias de corrupção. Após os desgastes das relações dos clubes e torcedores vieram às páginas de todos os jornais e às telas da televisão, as denúncias dos conluios com a política e os clubes.

Mais tarde, atingiu-se em cheio, o samba e o Carnaval carioca. Pronto! A corrupção era matéria em todo o Brasil. Chegou-se a apontar o dedo às figuras mais prestigiadas do samba.

E a indigência moral em que caiu a política brasileira nestes últimos anos veio para perpetuar a ideia de que a imprensa é a maior arma contra ou a favor de quaisquer formas de organização social. Porque ela influencia em toda a opinião pública.

O infinito grau de desmoralização a que se foi arremessado sobre a política de esquerda brasileira e mundial inviabiliza toda a forma de expressão contrária ao governo que hoje aponta no comando da nação.
E, esse viés patriótico, tende a se espalhar como a única forma de se organizar um povo. Assim pensam os que estão por trás deste novo olhar para a sociedade.

O Brasil, não tem mais o futebol entre as paixões do povo. Também não cultiva amores pelo samba e substituiu a caipirinha pela cerveja. A identidade atual do brasileiro não representa a alegria e a hospitalidade do século passado.

A violência nas praias cariocas mostra que a cidade turística não corresponde com os cartões-postais que estão espalhados em todas as agências de viagens internacionais. As novelas brasileiras perderam o rumo, o jornalismo desceu às escadarias da baixaria. O esporte mostra mais as tragédias pessoais dos atletas que as conquistas dos grupos. Enfim, o Brasil se instalou no fundo do poço.

Para piorar, o Estado brasileiro não tem mais as chaves do erário, todas as contas são controladas por bancos internacionais. Acabou o dinheiro. Porém, os concursos públicos também irão desaparecer. A máquina pública terá que afastar os excessos de gastos antes de os excessos de gastos dissolverem a máquina pública.

E o passado deverá ficar lá, no passado. O que se precisa construir imediatamente são barreiras de proteção ao erário, através de novas políticas de gastos, longe dos blá, blá, blás e sem chorumelas.

No entanto, a Odebrecht entrou com pedido de recuperação judicial por ter dívidas no valor de R$ 98 bilhões e o juiz da 1ª Vara de Falências, João de Oliveira Rodrigues Filho, de São Paulo, acatou a petição e só para os bancos públicos as dividas ultrapassam a casa do R$ 22 bilhões. Resta-nos comprar cordas e lanternas porque a subida será longa e escura.


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