Editorial

Um alerta inevitável

O uso indiscriminado de medicação tem preocupado as autoridades de vários países. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o percentual de internações hospitalares provocadas por reações adversas a medicamentos ultrapassa 10%

29 de Junho de 2013 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O alerta é importantíssimo. Fundamental. O uso indiscriminado de medicação tem preocupado as autoridades de vários países. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o percentual de internações hospitalares provocadas por reações adversas a medicamentos ultrapassa 10%. Para alertar a população sobre os riscos da automedicação, a Política de Medicamentos do Ministério da Saúde procura conscientizar os brasileiros sobre a utilização racional desses produtos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ligada ao Ministério, pretende lançar uma série de filmes tratando do assunto.

Mas por mais que sejam conhecidos os efeitos nocivos da automedicação, a prática ainda é bastante comum entre os brasileiros. Nem se precisaria de pesquisa sobre isso. Basta perguntar para algum amigo ou vizinho, para ter a triste confirmação: o ato de tomar remédio por conta própria é um hábito para muitos.

Os medicamentos de tarja vermelha correspondem a 65% do mercado do setor. Para a maior parte desses produtos, a legislação sanitária exige apenas a apresentação da receita médica no ato da compra. As farmácias, ao contrário do que ocorre atualmente com os antibióticos, não possuem a obrigação de ficar com as receitas.

A chefe do Núcleo de Gestão do Sistema Nacional de Notificação e Investigação em Vigilância Sanitária, Maria Eugênia Cury, diz que existem estudos consistentes. Tais pesquisas indicam que 44% dos remédios comprados para a automedicação estão entre os de tarja vermelha.

Essa falta de controle - danosa para a sociedade - é uma falha em sistema que tem um início de ciclo bem atendido. “A regularização tem sido muito eficiente na produção, distribuição e pesquisa na área de medicamentos. Tudo isso tem regras rigorosíssimas, mas quando chega na etapa de fechamento, quando o medicamento vai para o paciente, o sistema foge de todos os padrões. O mesmo cuidado tomado na produção tem que ser tomado na chegada do medicamento ao paciente”, disse o diretor da Anvisa, Dirceu Barbano.

Porém, ele afirma não acreditar que a retenção de receita seja o melhor caminho. E ironiza: “Seria necessário criar um prédio ao lado das farmácias para guardar as receitas retidas”. Em sua opinião, o mais indicado, por enquanto, seria atuar na conscientização da população. “A prescrição médica é fundamental para garantir um diagnóstico correto e o uso seguro e eficaz do medicamento ”, disse.

A conscientização maior precisa ser a individual. Cada pessoa tem que se dar conta do perigo de automedicar-se. Procurar um especialista é sempre o melhor caminho.

 


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