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Ufa, cheguei

28 de Outubro de 2019 - 08h03 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Luiz Augusto P. de Almeida -  diretor na Sobloco Construtora S.A.

Bastou uma rápida greve dos motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo para nos lembrar que, morar em uma cidade grande, onde o sistema de transporte coletivo não atende às necessidades dos habitantes, é um ônus insuportável. Foi um movimento parcial de apenas dois dias, mas o suficiente para causar grandes transtornos aos habitantes da maior cidade do país. A dependência de transportes sobre pneus e suas consequências para a sociedade, a economia, as metrópoles e a nação ficaram ainda mais evidentes na paralisação dos caminhoneiros, em 2018, cujas graves sequelas ainda estão presentes.

Não existem soluções mágicas para o problema da mobilidade e dos transportes/logística, mas, com certeza, o planejamento a longo prazo poderia fazer muita diferença. É impensável que um país de dimensões continentais como o nosso praticamente não invista em ferrovias e hidrovias. Privilegiou-se a construção de estradas e o transporte rodoviário por ônibus e caminhões. Mas, hoje, nem isso funciona, pois é grande a parcela da malha viária nacional em situação precária.

No tocante às grandes cidades, as ruas foram planejadas há décadas, para o trânsito de uma quantidade determinada de carros por hora. Porém, em muitos momentos, recebem volume muito maior. Ou seja, não houve verdadeiramente um planejamento que contemplasse projeções da expansão demográfica e da frota de veículos. Também sem estudos abalizados, implantaram-se, recentemente, os corredores de ônibus, que, de um lado, melhoraram o tempo médio dispendido em viagens coletivas, mas, de outro, sufocaram o transporte individual ao longo destas vias e degradaram a paisagem urbana. Implementaram-se centenas de quilômetros de ciclofaixas que, passados alguns anos, estão deterioradas e não conseguem oferecer segurança. E, assim, vão-se realizando obras pontuais, sem estudos prévios aprofundados e eficazes. Não existe solução imediatista. Há alternativas viáveis, mas elas precisam ser baseadas no planejamento urbano, com uma visão de longo prazo, pois algumas delas são caras e podem demorar anos para serem concluídas.
Para cidades com forte adensamento urbano e recursos financeiros, o metrô é a melhor opção, justamente por ser rápido, seguro e eficiente. O problema é que é caro e leva anos para ser construído. Dependendo do tamanho e complexidade, o quilômetro construído pode custar milhões de dólares. Para se ter uma ideia, no caso da linha 4 do metrô paulistano, o valor médio foi de US$ 220 milhões.

Os corredores de ônibus são mais viáveis, mais rápidos para ser implementados e com menor custo (cerca de US$ 10 milhões por quilômetro, em média), mas precisam ser suficientemente eficazes e confortáveis para estimular os proprietários de automóveis a deixarem estes na garagem e optarem pelo coletivo. Há ainda o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que enfrenta dificuldades de implantação por causa dos custos, mas que tem apresentado bons resultados para curtos deslocamentos.

Formas alternativas estão sendo adotadas pelas pessoas, como patinetes elétricos e bicicletas pay-per-use, mas que encontram limitações pela falta de segurança. Embora conceitos simpáticos e de apelo tecnológico-ambiental, são individuais e elitistas.

Se não planejarmos, continuaremos correndo atrás do crescimento demográfico, da expansão da frota de veículos e do crescimento desordenado, seguindo com obras improvisadas para atender precariamente ao crescimento urbano.


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