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Turismo: se é possível imaginar...

25 de Novembro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Antonio Peixoto, jornalista

No acesso à avenida Fernando Osório pela BR-116, em frente ao Museu do Castelo Simões Lopes iluminado por canhões de luz, e junto ao Centro de Eventos pela avenida João Goulart, eles são vistos de longe: coloridos, simpáticos e fotogênicos. Enormes figuras sorridentes de gesso de dez metros de altura, iluminadas à noite e acompanhadas de um par das já conhecidas formigas laranjas, são parada obrigatória para foto de quem entra na Cidade do Doce. Dali partem placas indicativas em direção ao Centro do visitante, uma estrutura chamativa na praça Cel. Pedro Osório, coração da cidade, onde a magia começa. Neste posto, junto às águas dançantes permanentes do chafariz, são vendidos diversos pacotes turísticos pelo município.

Estamos no verão, em fevereiro, quando todos os caminhos levam ao Laranjal. Da praça partem ônibus temáticos panorâmicos, plotados com um doce diferente e lá dentro do Quindão, do Ninho e do Brigadeiro eles podem ser degustados em miniatura durante a viagem, com café da manhã acompanhado do guaraná local, de refresco e biscoitos bem conhecidos daqui em opções salgadas para equilibrar o paladar. O passeio começa cedo com city tour pelo Centro Histórico, com pausa para os museus, visita guiada interna ao Grande Hotel, Biblioteca, Mercado e Sete de Abril - onde há sempre uma apresentação cultural - e depois em direção ao museu da Baronesa. Pausa para almoço no Shopping ou nas Charqueadas. Dependendo do seu pacote, o roteiro pode seguir com passeio de barco pelo Arroio Pelotas rodeado de história ou adentrando ao moderno Parque Una em direção à avenida São Gonçalo, onde é feita uma parada para apreciar os diversos campeonatos de esportes náuticos que se desenrolam aos fins de semana. Ambos os percursos param na remodelada Barra para o Festival do Camarão e do Peixe, nas pastelarias.

A próxima parada é no trapiche de concreto, onde se encontra uma cafeteria panorâmica e alguns pequenos barcos ofertam passeios alternativos, além de prática de esportes radicais. Na orla, tomada por balonistas, um espetáculo nos céus proporciona, além de uma competição visual memorável, um passeio com vista seleta da maior laguna do mundo. Em alguns dias de fevereiro tem Carnaval, animado por blocos e bandas que arrastam o turista para o melhor do nosso samba. Em uma quinzena especial, o Festival Internacional do Sesc, por todos os cantos, é o hino oficial do verão na praia e na cidade. E se você quiser esticar a estadia, tem pacote para comer pratos deliciosos de camarão nos restaurantes da Colônia Z-3, passando por uma estrada asfaltada e iluminada de ponta a ponta na orla. Dali saem escunas para a Ilha da Feitoria, onde é possível tomar um banho tranquilo, outro passeio indispensável e programável. Se curtir um bom futebol raíz, que tal reservar ingresso para a experiência do Bra-Pel durante o Gauchão?

Mas se a vibe é natureza, o ônibus tem rota também para lá no dia seguinte. Não dá pra deixar de conhecer algumas encantadoras cascatas na zona rural, algumas com hospedagens, com parada obrigatória para café colonial e compra de alimentos artesanais produzidos no interior. Se quiser passar o dia na tranquilidade de sítios e parques rurais também é possível esticando a estadia. A entrada em alguns parques aquáticos da região também faz parte dos pacotes.

Nos sábados gelados do inverno, ali pelas manhãs de junho, a visita ao Calçadão é obrigatória para assistir ao desfile do Tholl, que convoca todo mundo para a Fenadoce - antes e durante a feira. Imagine assisti-los saboreando uma miniatura de doce que é distribuída para todo mundo durante o espetáculo.

No Beco do Doce é possível levar uma lembrança e comprar o ticket para a maior feira da região, que tem diversos shows nacionais. De quebra, fazer umas comprinhas no comércio local na imbatível Doce Black Friday, durante o junho. Nas tardes ainda é possível tomar um café quente no Mercado ao som do Festival de Cultura Afro, um projeto de cultura, música e dança permanente que ajuda a contar as origens da nossa cidade, e ainda esticar a noite saboreando uma cerveja artesanal feita aqui nos bares e hamburguerias da noite pelotense, que inclui festas imperdíveis e os melhores lanches do Estado.

"Lembra muito a forma com que a cidade peruana de Cuzco lida com o turismo, com pitadas tropicais no verão e notas doces no inverno", dizem os turistas. Apesar desta fala e de muitos roteiros aqui narrados serem mera ficção, não custa nada sonhar grande. Integrar roteiros, atrações, ações públicas e privadas, investir em infraestrutura, capacitação, potencializar as atrações locais e organizar a cadeia turística são desafios ainda para um município que necessita caminhar a passos maiores rumo ao desenvolvimento turístico de fato. Tenho certeza de que este não é um sonho apenas meu, é de muita gente. Se é possível imaginar, é possível realizar.


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