Editorial

Tudo enrolado

21 de Outubro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Iniciemos logo com um clichê: Pelotas é uma cidade que respira cultura. E, em uma localidade assim, naturalmente o turismo é um caminho de busca por geração de emprego, renda, atração de investimentos. Especialmente a partir do fato que, aliado à efervescência cultural e artística, o município conta com incomparável acervo patrimonial a céu aberto. Por aqui, pelas ruas históricas, estão permanentemente à disposição praças, casarões e pontos relevantes da trajetória pelotense, gaúcha e brasileira.

Talvez não seja comum para quem nasceu ou vive na cidade e habituou o olhar sobre o ambiente. Mas para quem chega a Pelotas, estes diferentes atrativos são convite a um mergulho na história e, principalmente, ao registro em imagens. Sobretudo atualmente, quando as redes sociais são estímulo à constante divulgação de fotos e vídeos que ganham visualizações e abrangência em segundos.

No entanto, como mostra a foto de capa e a reportagem na página 7 da edição de ontem do Diário Popular, a bagunça existente nas redes elétrica, de telefonia, internet e TV a cabo são uma mancha. Se você ainda não tentou, faça o teste e procure fazer uma boa foto de um dos pontos turísticos do Centro Histórico, por exemplo. Exceto se você for ótimo fotógrafo profissional ou der sorte de encontrar ângulo criativo, certamente seu registro terá como destaque emaranhados de fios enrolados, enredados ou caídos poluindo a imagem. Uma desvalorização daquilo que usamos como cartão postal para atrair visitantes.

Mas a desorganização nos postes é, também, problema bem maior do que a estética. Como relatado por pessoas ouvidas pela reportagem, a quantidade de fios acumulados de qualquer forma nos postes representa risco. Curto-circuitos, fogo e quedas de energia são eventos comuns já presenciados por muitos pelotenses. E mais: não raro, pedestres se veem diante de cabos soltos nas calçadas ou pendurados a uma altura que pode atingir quem ande desavisado. E é assim em qualquer lugar, não é um "privilégio" do Centro.

Há muito tempo, sob diferentes gestões municipais e da CEEE (responsável pela rede de postes), ouvimos falar em intenções de dar fim à bagunça. E nunca passou disso. Em Porto Alegre, recentemente, a prefeitura conversou com a companhia de energia e, aparentemente, está tendo início processo de organização nos postes, com retirada dos fios em excesso ou abandonados pelas empresas. Poderíamos replicar aqui. Mas de verdade. Por enquanto, há muita enrolação.


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