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20 de Janeiro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Laura Tonial, advogada e escritora, membro da Academia Pelotense de Letras

A palavra dos cristãos tem de começar a ser ouvida diante de imensas e graves ameaças, como a recente aprovação da lei do aborto na Argentina e o incêndio de igrejas na França, Estados Unidos, Nicarágua e Chile.

O silêncio dos que professam a fé cristã induz a que tudo está bem, uma vez que vem sendo aceito de forma completamente passiva. Se bem atentarmos, vemos que nossas liberdades - entre elas destaco a religiosa - vêm sendo suprimidas pouco a pouco. É uma constatação que muitos se negam a ver.

O fechamento das igrejas, onde nós cristãos nos abastecemos do Cristo e de toda sua força, é um exemplo. Para os que praticam a religião, deixar de receber a comunhão é uma agressão, visto que é no comungar o corpo de Cristo que reside a nossa força, é na Eucaristia que encontramos a verdadeira intimidade com Ele.

Outros gravíssimos fatos, os quais exigem que não nos mantenhamos ausentes e silenciosos diante dos problemas vividos pela Igreja, estão na perseguição a sacerdotes, nas pseudo-obras de arte com crucifixos sendo introduzidos nas genitais e ânus dos manifestantes, e na destruição, em espaços públicos, de imagens de Jesus e sua Mãe. A fraca interferência dos cristãos junto aos políticos em defesa da vida de inocentes também é algo inaceitável.

Diante de todas essas perseguições, temos permanecido inertes e até fingimos que não estamos vendo o ateísmo e o comunismo se aproximarem cada dia mais, como anunciado por Maria nas aparições em Fátima. De igual modo, vemos poucos bispos e padres manifestarem-se sobre o tema.

Temos assistido diariamente à tentativa de desconstrução dos valores cristãos, com o enfraquecimento da dignidade e da moral da família, e da religião. A família é tida como grande inimiga do marxismo cultural que vem tentando implantar suas ideias no mundo todo. Para essa doutrina, a pessoa perde a importância e só o coletivo importa, sendo seus grandes inimigos - além da família-, a religião e o livre arbítrio pregado pelas religiões judaico-cristãs.

Se observarmos o que a grande mídia divulga e prega em noticiários, novelas e filmes, é exatamente a desconstrução do ser humano, do seu livre arbítrio, da família e da religião. Enfim, os valores éticos passaram a não ter mais qualquer importância! Uma sociedade enfraquecida, sem moral e sem fé, é bem mais fácil de ser dominada.

Vemos igualmente ser atacada a simbologia das nações. Aqui no Brasil chegaram a denegrir nossos maiores símbolos, tendo sido tentada a substituição de nossa linda bandeira por outra de cor vermelha. Até o hino do Rio Grande do Sul, que prega os valores e tradições do bravo povo gaúcho, recentemente não foi cantado por um vereador, que alegou conotação racista. São mudanças de paradigmas? Ou tudo está sendo arquitetado para eliminar os valores de nossas vidas?

Os cuidados exagerados em nome da preservação da pessoa contra o vírus da pandemia - com os quais alguns dirigentes tentaram manter o povo trancado em casa -, por vezes chegaram a ser exorbitantes e tolheram as liberdades individuais. Destaco que não estou negando a gravidade da doença e suas cruéis consequências, mas o oportunismo de alguns que pretenderam se tornar verdadeiros imperadores.

Há iniciativas em nossas vidas que muito nos custam, sendo importante enfrentá-las com coragem. De minha parte, a tendência de fugir ao enfrentamento das questões acima expostas foi uma constante por vários meses. Explico: tenho procurado em minhas crônicas e livros a não abordagem de temas polêmicos, sejam eles de religião ou de política. Não se trata de não ter opinião formada sobre tais temas, mas de considerar minha missão produzir leituras mais leves e positivas.

Sem dúvida o mal existe no mundo e, por vezes, parece que a sociedade está dominada pelas trevas. No entanto, o mal teme a palavra dos bons. É hora de nos manifestarmos!

Concluo que, mesmo tendo conhecimento da maldade e corrupção existentes no mundo, e de que a esperança maior do cristão é a vida e a felicidade eternas, devemos ter esperança de dias mais serenos, nos quais o cristianismo deixe de ser vilipendiado e voltem a ser respeitados os símbolos judaico-cristãos. Para isso, é fundamental que nós cristãos, além de nos mantermos em oração pela perseverança na fé, busquemos e omissões.


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