Editorial

"Tem desconto?"

15 de Janeiro de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por trás da "arte" de pechinchar está também a necessidade de poupar do brasileiro. Afinal, o mercado tem como característica a quase interminável oferta do mesmo produto, inflacionado pela marca que carrega, o peso dos impostos pagos ao governo, os custos fixos e a margem de lucro do empresário, entre outros cálculos que precisam ser feitos quando se vende de um simples lápis de escrever a um automóvel de última geração.

Pois 71% dos consumidores brasileiros esperam pela promoções e saldões para adquirir produtos de maior valor, como eletrodomésticos, móveis, celulares, eletrônicos e veículos, com preços mais em conta, revelou a pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira, referente a práticas de consumo, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Um percentual que não para de crescer. Era 64% em 2013 e chegou, também, aos 71% ano passado.

Segundo a CNI, quanto menor a renda do brasileiro, maior o seu interesse (78%) em buscar informações sobre a garantia e os serviços de pós-venda. Isso ocorre porque corresponde a um público que demora mais a trocar bens de grande valor. Por isso, querem garantir que as peças adquiridas tenham vida útil mais longa.

Gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade, Renato da Fonseca lembra que com a crise econômica, o consumidor passou a se preocupar ainda mais com a manutenção, o conserto e o serviço do bem adquirido com esforço. "Está mais exigente na qualidade e no preço", destaca.

O levantamento indicou ainda que praticam a pechincha 93% dos compradores, enquanto 80% pesquisam as características técnicas do bem antes de adquiri-los. Preço, qualidade e marca são os fatores mais importantes na hora da compra de algo de maior preço.

A pesquisa ouviu duas mil pessoas em 126 municípios, entre 19 e 22 de setembro de 2019.


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