Editorial

Taison

13 de Novembro de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O pelotense Taison, atacante do Shaktar Donetsk e convocado algumas vezes para vestir a camisa da Seleção, quer retornar ao Brasil depois de ser vítima de racismo no último fim de semana, na Ucrânia. Seu gesto com o dedo do meio e o chute na bola em direção à arquibancada, onde torcedores do Dínamo imitavam um macaco e ofendiam o atacante, ganharam o mundo e resgataram uma das piores faces do esporte mais popular do planeta.

Taison dá sinais já há algum tempo que sonha com o regresso para mais próximo de sua família, seus amigos. Como profissional, porém, também admite que não será um desejo fácil de ser concretizado, pois tem contrato a cumprir.

Da mesma forma, se conseguir se desvincular do seu time, não encontrará um cenário muito diferente no Brasil. Por aqui, o racismo no futebol está tão presente quanto na Europa. Com relatórios anuais desde 2014, o Observatório da Discriminação Racial no Futebol contabilizou, apenas nos primeiros cinco meses de 2019, 14 denúncias. São 12 em estádios de futebol e dois registrados na internet. No ano passado foram mais de 50 casos.

Para o fundador e diretor do Observatório, Marcelo Carvalho, a reincidência existe muito pela falta de medidas mais duras e de posicionamentos mais firmes dos clubes e das federações, que "continuam empurrando o problema com a barriga", afirmou ele, em entrevista ao site folhape.com.br.

E Taison, se escolher o Rio Grande do Sul para continuar jogando, pisará em gramados no estado com o maior número de denúncias de racismo, vale lembrar, bastante à frente dos outros estados.

O jogador fez o certo. Não baixou a cabeça e gritou contra um crime presente em praticamente todas as esferas da sociedade, não apenas no esporte. Tornou-se referência àqueles que ainda se calam frente a cenários idênticos. Chamou a atenção do planeta e mostrou, mais uma vez, o orgulho de sua raízes, lá no Navegantes. Orgulho e exemplo para todos.


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