Artigo

Silêncio

31 de Julho de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Laura Tonial, advogada e membro da Academia Pelotense de Letras

O silêncio traz à tona o mais íntimo de nosso ser. Por vezes parece que estamos desaprendendo a escutar nossa consciência que, em suma, é a voz de Deus.

Além de ser no silêncio que ocorre o encontro pessoal com o Criador, é no silêncio que podemos refletir e proceder à investigação de nós mesmos. Ele apazigua o espírito, trazendo-nos calma e serenidade, e destacando os valores espirituais.

Há silêncios produtivos, como o que ocorre ao contemplarmos o nosso interior, uma obra de arte, a natureza, sendo que a sensação do maravilhoso - excelente para nossa sensibilidade - surge desse momento.

Por vezes ele fala mais alto do que gostaríamos e diz até o que não queremos ouvir, sendo muito difícil entender seus mistérios. Como nada pode apagar da alma humana o desejo do Absoluto, quando não queremos nos deparar com tal desejo, evitamos o silêncio, que é quietude plena.

Conseguir longos períodos de quietude é uma aprendizagem que pode também ocorrer a dois, quando constituem uma parceria no silêncio e, mesmo assim, continuam em sintonia e contentes com a presença do outro. O silêncio a dois pressupõe a existência de bons encontros e respeito mútuo, do contrário pode tão somente revelar indiferença, falta de comunicação e um distanciamento a dois.

Nos instantes de raiva e animosidades, nada é mais conveniente do que o silêncio. Crescemos ouvindo dizer para contarmos até dez quando nos encontramos na iminência de falar e agir com impulsividade. Devemos nos recolher alguns minutos com nós mesmos, em silêncio, pois é nele que podemos ouvir nosso pensamento e termos restabelecida a paz. Outros momentos há em que o silêncio vale mais que qualquer palavra pronunciada, como aqueles passados ao lado de um amigo que perdeu alguém querido.

Inúmeros poetas e pensadores têm tratado sobre esse tema. O poeta português Eugênio de Andrade, ao falar da plenitude do silêncio, afirma que só os orientais a conhecem. Já Albert Einstein afirmou: "Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio - e eis que a verdade se me revela". Já Khalil Gibran assim declara: "Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores".


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