Editorial

Será o fim das cicatrizes

16 de Outubro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Há pelo menos 20 anos, Pelotas convive em seu Centro Histórico com duas cicatrizes impossíveis de passarem despercebidas: o prédio que sediou o Banco do Brasil e Secretaria de Finanças e a obra não concluída da torre Central Park. Ambos encravados no praça Coronel Pedro Osório.

O primeiro deles, um vistoso casarão na esquina do Mercado Central, lamentavelmente corroído pelo tempo, passa neste momento por intervenções emergenciais para evitar danos ainda maiores na estrutura. Além das visíveis janelas quebradas e efeitos do vandalismo, o local sofre com problemas que vão do telhado às paredes. Para ele, ao longo de todo o período de desocupação, sempre foram apontadas alternativas, todas frustradas. Porém, somente há pouco mais de dois meses houve o que, aparentemente, significa um destino certo: o anúncio de que em 2022 terá início o processo de reforma completa para transformação do prédio em um Centro de Gastronomia do Senac, através de aprovação do projeto no programa estadual Iconicidades.

Já o outro imóvel, conhecido popularmente como "esqueletão da Praça Pedro Osório", permanecia sem perspectivas. Pivô de uma série de discussões judiciais e econômicas, a estrutura parcialmente construída sempre foi um sinal de insolvência capaz de manchar uma área nobre e turística da cidade. Nem mesmo o Poder Público municipal conseguiu ter sucesso na intenção de adquirir o espaço com o objetivo de transformá-lo em um centro administrativo, algo aventado durante o governo do então prefeito Eduardo Leite (PSDB). Frente a isso, a torre ainda é um conjunto de tijolos e vigas de sustentação em local de absoluto interesse coletivo, como ilustram muito bem as imagens do repórter fotográfico Jô Folha nesta edição do DP.

Porém, a perspectiva atual é que também esta cicatriz seja removida do Centro Histórico. Isso porque a intenção da empresa que adquiriu recentemente a estrutura pretende iniciar obras em breve na torre Central Park e transformá-la, dentro de um ano e meio, em um prédio de 23 andares majoritariamente residencial, mas, também, ponto de referência para negócios e eventos.

A se confirmar, portanto, os encaminhamentos e anúncios recentes, é bastante provável que até o final de 2022 a paisagem do entorno da praça Coronel Pedro Osório deixe de ter estas marcas de um abandono, público e privado, que já dura duas décadas. Uma boa notícia.


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