Ponto de Vista

Sem os sucessos do agronegócio, o país estaria “quebrado”

23 de Maio de 2014 - 07h35 0 comentário(s) Corrigir A + A -

por Eduardo Allgayer Osorio, engenheiro agrônomo, professor titular aposentado da UFPel, diretor da Associação Rural de Pelotas

No ano findo de 2013, as exportações brasileiras somaram 242 bilhões de dólares, respondendo os produtos agropecuários por quase a metade deste total. Tendo o agronegócio exportado produtos no valor de 100 bilhões de dólares, para uma importação de 17 bilhões, proporcionou um saldo de 83 bilhões que compensou o déficit produzido pelos demais setores da economia brasileira, ou seja, sem o esforço do campo, nossas contas externas teriam fechado enormemente deficitárias. Assim, afora garantir comida na mesa do brasileiro, o agronegócio contribuiu decisivamente para o equilíbrio da balança comercial, sem o que o país estivesse “quebrado” internacionalmente.

Cabe destacar que os recordes conquistados no campo decorrem de ganhos havidos na produtividade. Segundo o IBGE, em 2013 a produção nacional de grãos superou a safra anterior em 16%, tendo a área colhida crescido apenas 8%. Na última década a colheita brasileira de grãos duplicou, das 83 milhões de toneladas produzidas em 2001 para as atuais 188 milhões de toneladas, tendo a área cultivada aumentado apenas 33%. Visto no passado como atrasado, o agronegócio brasileiro evoluiu em produtividade a ponto de ser hoje considerado um sucesso mundial.

Para auferir resultados tão auspiciosos, afora padecer com a natural incerteza climática e sofrer com os riscos inerentes à atividade agrícola, o produtor rural enfrenta diuturnamente um clima de constante apreensão e insegurança pela reiterada ameaça de invasão de suas terras, acuado por ONGs manipuladas por interesses escusos de países que sofrem por ter de competir com a eficiência do agronegócio brasileiro, criando falácias sobre questões ambientais e outras, sem considerar que o homem do campo é justamente o maior interessado na sustentabilidade do patrimônio natural, já que dele colhe a subsistência própria.

Mas, em que pesem tantos empecilhos, o produtor rural não esmorece. Faz a sua parte, competindo em nível mundial e vencendo o jogo. Garante a segurança alimentar da população brasileira e ainda produz excedentes exportáveis que sustentam a balança comercial externa, ganhando reconhecimento e respeito, inclusive dos que vivem nas cidades. Da parte do governo, o produtor rural anseia por medidas efetivas de desobstrução dos obstáculos que penalizam o agronegócio, pela melhoria da infraestrutura logística, com investimentos em estradas, ferrovias, portos, geração de energia e comunicação, além de desoneração das cadeias produtivas e da inadiável reforma da anacrônica legislação trabalhista, assumindo o papel que lhe cabe para superar o já insuportável “custo Brasil”.


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