Editorial

Riqueza concentrada

11 de Julho de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) calcula que 10% da mão de obra empregada no mundo concentre salários que equivalem a quase a metade (48,9%) de todos os pagamentos. No Brasil, o índice é estimado em 41,3% (dados de 2017) e está estagnado no processo de reduzir a concentração de renda.

Em novo relatório sobre a desigualdade de renda, a OIT aponta ainda outro dado assustador: metade de todos os empregados no planeta - 1,6 bilhão de pessoas - recebe apenas 200 dólares por mês (cerca de R$ 760,00). Já os rendimentos mensais dos 10% mais pobres somam supérfluos 22 dólares (R$ 83,00).

Além disso, esse grupo mais pobre precisaria trabalhar mais de 300 anos para conseguir ganhar o mesmo que a fatia mais rica recebe em um ano, segundo cálculo do Departamento de Estatísticas da OIT.

O órgão fez ainda uma comparação considerando os reajustes, que mostra uma complementaridade entre os diferentes níveis. O aumento de 1% nos rendimentos dos mais bem assalariados do mundo costuma provocar diminuição substancial na renda de todos os outros, principalmente entre os que ganham menos. Inversamente, o crescimento nos salários daqueles com renda média tende a gerar aumentos em todas as outras faixas, mesmo as menores.

A pesquisa da OIT também calculou a proporção do Produto Interno Bruto (PIB) distribuída aos trabalhadores sob a forma de renda salarial. No mundo, esse índice caiu de 53,7% em 2004 para 51,4% em 2017. No Brasil, a taxa subiu de 56,1% para 60,4%.

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo ideal hoje, para sustentar uma família de quatro pessoas, seria de R$ 4.214,62. O valor atual está em R$ 998,00.


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