Análise

Reuniãozinha

07 de Maio de 2014 - 08h03 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Ninguém consegue, na vida moderna, livrar-se das reuniões. A gente passou a respirar reuniões. Tomamos decisões importantes e banais em grupo; mudamos tudo ou deixamos como está em um círculo coletivo de conversa; rimos, choramos e não dizemos absolutamente nada com a agenda na mão. Reuniões pela manhã, antes do almoço, no começo da tarde, na saideira do trabalho, na chegada em casa, nos sonhos. Virou epidemia.
Tá fazendo o quê?
Tô no banheiro, ué. Não tá vendo.
É número um ou número dois?
Que conversa é essa cara?
Calma. Estamos precisando de quórum para fazer uma reunião. Podemos contar contigo?

A reunião é um mal necessário. Sem ela não conseguimos, por exemplo, decidir quando faremos o próximo encontro. No final de cada conversa já fica marcada a seguinte.
Querido, vamos sair para jantar hoje, só nós dois?
Não vai dar. Tenho reunião de trabalho.
Às nove da noite? Para discutir o quê?
Não encontramos mais tempo durante o dia. Tá tudo cheio. Queremos abrir mais horários.

A situação chegou a tal ponto que algumas empresas passaram a debater, em reunião, alternativas para substituir tantos encontros diários. Algumas propostas não deram muito certo. Pensou-se, por exemplo, em algo com uma pessoa apenas. Ela faria tudo. Primeira e segunda chamadas, ata e multiplicação dos resultados. Mas um dia o escolhido esqueceu de comparecer ao encontro apenas com ele e a ideia foi abandonada.

Partiu-se então ao trabalho a dois. Se um faltasse, o outro estaria lá. No momento em que a dupla precisou decidir um tema importante, porém, tiveram opiniões diferentes e não houve como anunciar qualquer decisão.

Por enquanto os melhores resultados foram obtidos em uma pequena empresa, onde os funcionários não sentam e ficam espremidos em uma pequena sala, sem climatização. Quase ninguém fala, para controlarem o oxigênio, e tudo é decidido muito rápido, no voto gestual. A secretária abre os trabalhos com o poeminha da “Vaca Amarela” e quem concorda ergue a mão. Em três minutos tudo é decidido.


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