Editorial

Repetições do velho Brasil

Renan Calheiros é alvo de denúncia enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela Procuradoria Geral da República e pode assumir como presidente do Senado Federal na sexta-feira

31 de Janeiro de 2013 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Será uma vergonha para o Brasil se, na sexta-feira, o Senado Federal escolher como seu novo presidente Renan Calheiros (PMDB), considerado favorito na disputa. Vamos relembrar. O candidato declarado é alvo de denúncia enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela Procuradoria Geral da República. Denúncia esta, na avaliação do titular do órgão, Roberto Gurgel, "extremamente consistente". O caso refere-se ao período em que o senador foi acusado de não conseguir comprovar a origem de sua renda. Calheiros apresentou notas de vendas de bois para justificar sua situação financeira no pagamento de pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha. A situação envolve ainda o pagamento de despesas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior.

O episódio remete a 2007 e levou Renan Calheiros a renunciar à presidência do Senado para evitar a cassação. E seis anos depois, o homem que abriu mão do posto para não perder tudo, retornou e tenta voltar ao mesmo posto pelo voto dos colegas.

O novo presidente do Senado Federal será eleito nesta sexta-feira. O eleito precisará obter a maioria dos votos - a votação será secreta - durante reunião preparatória às 10h, quando deverão estar presentes pelo menos 41 senadores, a maioria da Casa. O processo ocorrerá em turno único e a possibilidade de um novo pleito só existe no caso de empate entre dois ou mais candidatos.

Mesmo com toda essa situação incômoda, de voltar a enfrentar denúncias e investigação, o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), declarou no começo da semana que o envio da denúncia ao STF não constrange o partido. Deveria. Assim como deveria se constranger também pelas acusações feitas ao deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O principal candidato a líder da bancada do PMDB na Câmara pode ter usado documentos falsos para se livrar de um processo no Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio de Janeiro. Essa votação ocorre no domingo e o deputado é o favorito para comandar a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados, decisiva nas votações a favor do governo. A falsificação de assinaturas de documentos anexadas por ele ao processo que responde foi atestada por laudo do Instituto de Criminalística.

O Brasil tem o costume de surpreender o Brasil. Quando bons exemplos surgem, velhos problemas são resgatados, exemplos de um país que tem enorme dificuldade para se livrar da má política e de todas as suas engrenagens de bastidores. O velho Brasil que, na sexta, poderá alçar Renan Calheiros à presidência do Senado, um cargo que também pode presenteá-lo, temporariamente, com o posto de presidente do país.


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