Editorial

Reféns da chuva

12 de Setembro de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Cerca de 200 milímetros de chuva em menos de uma semana. Esse é o teste que desafia o sistema de drenagem de Pelotas desde a última sexta-feira, quando a instabilidade teve início e, com raros momentos de sol, não deu trégua. O resultado de tanta precipitação apresentou-se nas últimas horas. Com o solo saturado, os alagamentos começaram a aparecer nos bairros e nas vilas, principalmente nas áreas em que predominam vias de chão batido.

Os balneários do Laranjal estão entre os locais mais atingidos. Algumas ruas sumiram e se transformaram em verdadeiros rios, impedindo os veículos de ali transitar e os moradores de sair de casa - muitas delas, aliás, com o pátio tomado pela água.

A chuva em excesso sempre desafia Pelotas. Costuma revelar os problemas de um serviço que periodicamente necessita de investimentos. A limpeza dos canais, grandes, médios e pequenos, e a manutenção das valetas, é fundamental para garantir o escoamento. E isso tem sido feito nos últimos meses pela prefeitura, é preciso dizer. Mas 200 milímetros de chuva ou curtos períodos de precipitação intensa costumam desafiar qualquer modelo de drenagem.

Na área mais central, a chuva revela principalmente os pontos obstruídos, bocas de lobo bloqueadas pelo acúmulo de material ou lixo descartado de forma indevida pelos moradores. Os resíduos que boiam, principalmente nas esquinas, são a prova de que a população ainda ignora a importância de dar a destinação correta ao que se desfaz. Sacolas plásticas, papéis e garrafas ressurgem e expõem um mau hábito.

As lições vindas com as chuvas são sempre as mesmas. Para o Poder Público e os cidadãos. Se por um lado é algo quase incontrolável (200 milímetros em tão curto espaço de tempo), por outro pode ser bem menos impactante se todos cumprirem melhor suas obrigações.


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