Editorial

Quanto mais adesão, melhor

08 de Julho de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A adesão das pessoas ao distanciamento social implementado pelos municípios - e solicitado ininterruptamente pelas autoridades - tem sido responsável por salvar milhões de vidas. Entretanto, os efeitos dessa medida simples - se for possível, fique em casa - poderiam ser muito mais eficientes caso todos fossem mais regrados.

A conclusão está no estudo realizado pela Rede CoVida - Ciência, Informação e Solidariedade, com base em análises matemáticas, que apontou o sucesso das medidas para contenção da Covid-19 no Brasil, como forma de interromper o avanço da pandemia.

De acordo com a Fiocruz, responsável por divulgar a pesquisa, foi avaliada a dinâmica de transmissão nos 27 estados do país e os efeitos de 547 decretos de governos estaduais relativos ao distanciamento social. Assim, os estados que ao longo do tempo intensificaram as medidas tiveram melhor adesão. Destacaram-se Ceará, Amapá, Bahia Pernambuco, Acre e Maranhão, onde a parcela da população ficou mais tempo em casa, de 40% a 60%.

Responsável por liderar o estudo, Juliane Fonseca lembrou os melhores resultados. Eles foram obtidos por áreas que mantiveram as medidas iniciais. Isso fez com que houvesse mais adesão e diminuísse a taxa de transmissão em relação aos locais que flexibilizaram o retorno.

A análise dos modelos matemáticos levou ainda a outras interpretações, importantes para compreender o contexto da pandemia. Medidas implementadas nas capitais, por exemplo, costumam afetar o interior, com intervalo de dez dias. Assim, ao diminuir o total de casos em um grande centro, há reflexos nas cidades distantes do polo metropolitano. 

"A matemática enfatiza, entretanto, que a restrição de circulação de transporte e lockdowns são as medidas que apresentaram melhores resultados", aponta a Fiocruz.


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