Crônica

Quanta sorte, meu filho!

08 de Agosto de 2020 - 06h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Thais Russomano

Não me recordo quando ou a razão pela qual esta história me foi contada um dia. Mas virou uma memória, como se eu mesma tivesse presenciado este fato ocorrido no final dos anos 70.

À época, meu primo Fabiano era um menino de 3 ou 4 anos de idade e morava com seus pais, meu tio Bruno e minha tia Maria Helena, na cidade de Baltimore, no estado norte-americano de Maryland. Ele ainda era o único filho de meus tios, pois Júlia só viria ao mundo alguns anos depois.

Num final de tarde, Bruno decidiu que era hora de dar início ao processo do banho diário, sempre envolto em muita água, uma densa espuma branca, brincadeiras e sonoras risadas. Próximo à banheira, ficava um móvel, com armários e uma pia, sobre o qual tinham muitas coisas, entre elas um frasco de perfume. Na agitação do banho, ele foi inadvertidamente atingido, rodopiou no ar e caiu na banheira, espatifando-se.

Bruno logo percebeu o perigo do acontecido e, sem vacilar, mergulhou uma das mãos, para tentar identificar onde estavam os estilhaços do vidro quebrado, uma vez que a densa espuma branca obstruía sua visão. Com o outro braço, ergueu rapidamente Fabiano no ar e o resgatou para fora da banheira.

Em meio à confusão, com o menino já aos prantos, a mão do pai seguiu imersa, movendo-se rapidamente no assoalho da banheira até passar por alguns dos cacos do vidro quebrado. O grito de dor de Bruno e a água tingida de vermelho assustaram Fabiano ainda mais. Mas o pai estava aliviado com o filho seguro em seus braços. E com a mão cortada no ar, ainda sangrando muito, Bruno exclamou: "Quanta sorte, meu filho!".


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